Publicações que viralizaram nas redes sociais afirmam que o Itamaraty alertou para risco de ataque dos EUA e que a Marinha avistou navios de guerra americanos na costa. As checagens da Aos Fatos e da Agência Lupa mostram que nenhuma das duas informações é verdadeira.
As postagens atribuíam ao Comando de Operações Navais da Marinha a identificação de navios dos Estados Unidos na Zona Econômica Exclusiva brasileira, a chamada Amazônia Azul, e um suposto pronunciamento oficial sobre operação contra o governo Lula.
Impulsionadas no Instagram, no TikTok e no Facebook, as publicações somaram 140 mil curtidas até 14 de agosto, segundo o Aos Fatos. A Marinha classificou a informação como completamente falsa em nota enviada ao veículo.
"Não fez nenhum comunicado sobre o assunto", informou o Itamaraty à Agência Lupa, que também não encontrou nenhum alerta no site oficial do órgão.
De onde vem o boato de verdade?
O boato distorce um episódio real: em julho, o Itamaraty enviou carta ao governo americano alertando que classificar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas abriria precedente para ação militar dos EUA em solo brasileiro.
O Departamento de Estado chamou a avaliação brasileira de "absurda" e negou qualquer intenção de ação militar.
O Brasil nunca aderiu à lista antiterror dos EUA.
Já são 14 países que classificam o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, incluindo aliados próximos dos Estados Unidos.
O vídeo que "provava" o ataque
O vídeo usado como prova nas redes sociais não mostra nada disso. A gravação circula desde junho de 2025. Foi publicada com a hashtag "#iran" por um perfil no TikTok, sem qualquer relação com o Brasil.
Relembre o caso
Os EUA capturaram Nicolás Maduro em janeiro, e desde então parlamentares republicanos publicaram montagens sugerindo uma operação semelhante contra Lula. Em maio, o governo Trump classificou o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas.
O Brasil recusou fazer o mesmo, e a tensão levou o Itamaraty a alertar sobre risco de ação militar em julho. Até hoje, nenhum navio de guerra foi confirmado.





























