O brasileiro Nubank e a britânica Revolut, os dois bancos digitais de maior valor de mercado do mundo, travam uma disputa para conquistar espaço no mercado bancário dos Estados Unidos. As duas empresas obtiveram neste ano aprovação condicional para operar como banco no país.

O Nubank já lançou sua oferta americana neste mês.

O Nubank pediu ao regulador OCC (Office of the Comptroller of the Currency) uma licença bancária nacional em setembro de 2025 e recebeu aprovação condicional em janeiro de 2026. A aprovação abriu uma contagem regressiva regulatória.

A empresa precisa depositar capital próprio no banco americano até fevereiro de 2027 e iniciar operação plena como banco até meados do ano seguinte. Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank, mudou-se para os Estados Unidos para liderar a organização americana.

Por que o mercado americano é tão disputado?

O mercado bancário dos Estados Unidos funciona como uma fortaleza: reúne milhares de instituições, de bancos comunitários com vínculo local a gigantes de Wall Street com trilhões de dólares em depósitos. Nem toda fintech consegue entrar.

No início de 2026, o banco digital britânico Monzo desistiu da tentativa e recuou para focar na expansão europeia. É a prova de que ter escala em casa não garante espaço nos Estados Unidos.

"Os EUA são o maior prêmio. Se você conquistar os EUA, é algo maior do que toda a Europa", disse Nigel Morris, cofundador da Capital One e diretor da QED, uma das investidoras do Nubank.

A Revolut precisa da aposta americana para sustentar sua própria avaliação. A empresa, sediada em Londres, vale cerca de US$ 115 bilhões e mira uma abertura de capital em 2028 — o que exige mostrar crescimento fora da Europa antes disso.

Hoje a Revolut soma 80 milhões de clientes em 40 países e já tem licenças bancárias no Reino Unido e na França, mas presença ainda limitada nos Estados Unidos.

O Nubank chega ao país com outra escala. Fundado em 2013 como cartão de crédito sem mensalidade, está avaliado em US$ 67 bilhões e tem hoje mais clientes do que qualquer instituição financeira privada do Brasil.

Ao todo, soma mais de 135 milhões de clientes entre Brasil, México e Colômbia. Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central do Brasil, preside hoje o conselho de administração do Nubank.

O que acontece agora

David Vélez, fundador e CEO do Nubank, pediu paciência ao mercado: consolidar a operação americana deve levar mais de uma década, não alguns trimestres.

O próximo marco tem data: o depósito de capital próprio na subsidiária americana até fevereiro de 2027, seguido do início de operação plena como banco no ano seguinte.

É esse calendário que vai medir se a aposta avança de fato ou repete o recuo do Monzo.

A entrada nos EUA é o capítulo mais recente de uma expansão que já passou pelo lançamento da conta em dólar para 35 países, no início de setembro, e pela autorização para operar como banco múltiplo no México.

A empresa também reestruturou o comando na América Latina neste ano, com Livia Chanes assumindo como CEO regional, movimento que liberou a cúpula fundadora para a aposta americana.