A seleção brasileira estreia contra a Índia neste sábado (3), às 11h, horário de Brasília, no Estádio Salt Lake, em Calcutá, a cerca de duas horas de Bangladesh, um dos países com mais torcedores do Brasil fora do território nacional.
A ligação começou na Copa de 1970, com o tricampeonato. "As pessoas não tinham TV naquela época. Souberam pelos jornais", conta Pratap Hazra, que jogou pela seleção de Bangladesh naquele período.
Bangladesh vivia sob o domínio do Paquistão e buscava sua independência. "Pelé virou um deus do futebol em Bangladesh", diz Hazra, ao lembrar do impacto de um jogador negro erguendo a taça Jules Rimet para um povo que lutava pela própria emancipação.
Para uma população sob domínio colonial, a imagem ganhou um peso que ia muito além do futebol.
O país se tornou independente um ano depois, em 1971. O novo governo chegou a determinar que a biografia de Pelé, escrita por Mário Filho, fosse traduzida e virasse leitura obrigatória nas escolas.
A Argentina entrou nessa disputa só na Copa de 1986, com o gol de Diego Maradona contra a Inglaterra, a "Mão de Deus". Bengalis que foram colônia britânica até a independência liderada por Gandhi viram ali uma revanche histórica contra o antigo colonizador.
Hoje a torcida se divide por geração. "Meu pai e meu irmão mais velho são fãs do Brasil. Mas as pessoas mais jovens torcem pra Argentina por causa do Messi", diz o jornalista Shinul Parviz.
A Índia, 138ª no ranking da Fifa, nunca disputou uma Copa do Mundo e nunca havia enfrentado o Brasil.
A distância técnica é grande: mesmo a Austrália, 26ª colocada e adversária do Brasil nos dois jogos anteriores desta data Fifa, está muito à frente dos indianos.
O que acontece agora
Contra os australianos, a seleção de Carlo Ancelotti buscou um empate nos acréscimos e venceu sem grande brilho no segundo encontro. O retrospecto segue favorável: o Brasil teve só uma derrota para a Austrália em 8 jogos na história.
O treino de sexta-feira (2) indicou escalação mista, com Pedro treinando entre os titulares no lugar de Raphinha.
Raphinha foi cortado por lesão e não viajou para a Índia com o restante do grupo.
Para a Federação Indiana de Futebol (AIFF), a visita vale mais do que o aspecto financeiro. O presidente da entidade, Kalyan Chaubey, retirou a seleção da Copa da Asean, disputada entre setembro e outubro, para priorizar a preparação para o duelo.
Segundo a AIFF, em nota, a presença do Brasil pode produzir um impacto sobre a seleção indiana, a torcida e todo o ecossistema do futebol local "difícil de mensurar".






























