Mulheres são 34,85% das candidaturas registradas para as eleições de 2026, segundo o TSE. São 7,1 mil candidatas entre 20,5 mil postulantes considerados na distribuição de recursos de campanha. O percentual pouco mudou desde 2020, quando a participação feminina também ficou perto de 34%.

A cota eleitoral, criada em 1995, exige hoje ao menos 30% e no máximo 70% de candidaturas de cada gênero nas disputas proporcionais. Desde 2009, os partidos são obrigados a preencher esse mínimo, não apenas reservá-lo.

Grupo de mulheres reunido em evento político em Brasília
Mulheres em evento político em Brasília (foto de arquivo). Foto: Aécio Neves from Brasília, Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

"Depois que se tornou possível punir os partidos, inclusive com a impugnação da lista que não cumpre a lei, eles passaram a operar com os 30% como uma baliza, e não como um mínimo", afirma Flávia Biroli, professora da UnB (Universidade de Brasília).

Para Marlise Matos, professora da UFMG, a disputa por espaço político ainda funciona como um "jogo de soma zero". Mulheres já são 45% das pessoas filiadas a partidos, mas isso não se traduz em cadeiras na Câmara, hoje só 17,2% do total.

Na prática, para cada candidata mulher, há quase dois homens concorrendo a um cargo eletivo em 2026. A TV Sim Brasil já mostrou que o perfil mais comum entre os candidatos é homem, branco e com ensino superior.

Por que a cota não aumenta o número de candidatas?

A cota eleitoral funciona como piso desde 1997, mas pesquisadoras dizem que virou teto na prática. Partidos evitam ultrapassar os 30% de candidaturas femininas para não abrir mão de vagas mais disputadas pelos homens no país.

Isso explica por que o patamar de participação feminina não se move há quatro eleições.

Como a violência política afeta as candidatas?

Processos por violência política de gênero somaram 149 casos entre janeiro e agosto de 2026, alta de 380% sobre os 31 registrados no mesmo período de 2024. É a maior série já registrada desde 2019.

A TV Sim Brasil já mostrou que essa violência política de gênero lidera em SP, PR e MG. Em resposta, o TSE lançou um painel nacional de monitoramento em 22 de setembro.

"É pior, porque você tem mais velocidade, mais volume", disse a ministra Estela Aranha, do TSE, sobre a violência política praticada no ambiente digital.

O ponto em aberto

A estagnação em torno de 34% se repete há quatro eleições seguidas. Fica a pergunta se a cota de 30%, pensada como piso em 1997, vai continuar funcionando como teto, ou se o salto na violência política de gênero afasta ainda mais candidaturas.