O TSE suspendeu nesta quinta-feira (24) o julgamento sobre a candidatura de Dr. Furlan (PSD) ao governo do Amapá, a dez dias do primeiro turno. O relator, Dias Toffoli, votou para barrar a candidatura; André Mendonça pediu vista e suspendeu a análise.
Segundo o Ministério Público Eleitoral (MPE), Furlan renunciou ao cargo de prefeito de Macapá cinco horas depois de a Câmara Municipal receber uma representação contra ele. A renúncia ocorreu um dia depois de o STF determinar seu afastamento cautelar.
O afastamento, do ministro Flávio Dino, foi motivado por suspeita de fraude em licitações. Para o MPE, a manobra tentou driblar a Lei da Ficha Limpa.
Não há dúvida de que o candidato formulou a renúncia com a finalidade de fraudar a lei e se esquivar de processo que poderia levar à perda do seu mandato de prefeito. É um ato com aparência de legalidade, porém dissimulada.
A frase é de Toffoli, ao votar pela cassação. Para o relator, a renúncia ocorreu em momento de grave repercussão institucional para a continuidade do mandato e impediu que a Câmara analisasse o caso por outra via. O TRE-AP havia liberado a candidatura antes.
Furlan é o principal adversário do governador Clécio Luís (União Brasil), apoiado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O senador já mobiliza influência em Brasília para tentar não perder o controle do estado.
Também disputam o governo do Amapá o delegado Marcos Reátegui (DC), Carlos Cley (PSTU) e Jairo Palheta (PCO), num total de cinco candidatos registrados.
Qual é a distância nas pesquisas?
Furlan aparece à frente com folga, quase o dobro dos votos do rival: 59,4% contra 32,1% de Clécio Luís, segundo o Paraná Pesquisas. Em cenário de segundo turno simulado, a vantagem é parecida, de 60,3% a 33,1%.
O levantamento, contratado pela Sedek Serviços, Tecnologia e Informação Ltda. e registrado no TSE sob o código AP-00062/2026, ouviu 1.080 eleitores em 16 municípios do Amapá entre 26 e 28 de agosto. É estimulado, com margem de erro de três pontos e 95% de confiança.
A disputa acontece em meio ao debate sobre o potencial do petróleo para elevar o PIB do Amapá em 61%, tema que segue fora do radar das pesquisas eleitorais no estado.
O que acontece agora
Pelo regimento interno do TSE, Mendonça tem até 30 dias para devolver o processo a julgamento, prazo prorrogável por mais 30. Não há data marcada para a retomada da análise.
O primeiro turno ocorre em 4 de outubro. Antes de a sessão ser interrompida, o ministro Floriano de Azevedo Marques pediu que o caso volte à pauta logo, para não deixar o eleitorado amapaense na incerteza às vésperas do voto.






























