O Super El Niño atingiu 2,1°C de anomalia média de temperatura na região central do Pacífico em setembro, nível recorde para o mês e considerado "muito forte" pela NOAA. Historicamente, o fenômeno só atinge esse patamar em outubro ou fevereiro.

A NOAA estima 75% de chance de o evento superar a intensidade registrada desde 1950, com efeitos que podem durar até 2027.

Segundo a Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), há 81% de chance de o El Niño chegar a "muito forte" entre outubro e dezembro. A Região Sul deve ter chuvas acima da média, enquanto Norte e Nordeste devem registrar precipitação abaixo do normal.

O que muda para o produtor

Soja e milho, com ciclos de cerca de quatro meses e múltiplas safras no ano, estão entre as culturas mais vulneráveis. Café, citros e frutas sem irrigação artificial, como caju e manga, também sofrem com o estresse térmico na floração.

Na pecuária, o estresse térmico reduz a eficiência alimentar do gado: o animal precisa comer mais ração para chegar ao ponto de abate ou manter a produção de leite. Isso eleva o custo do produtor sem aumentar a receita na mesma proporção.

O governo já reage. A Conab comprou 191 mil toneladas de milho de olho no fenômeno, formando estoque regulador para conter oscilações de preço.

O momento é ruim para o produtor se proteger. A área coberta por seguro rural caiu de 13,45 milhões de hectares em 2021 para 3,2 milhões em 2025.

O orçamento do programa de subvenção ao seguro para 2026 foi reduzido de R$ 1,01 bilhão para R$ 473,8 milhões.

O que acontece agora

O impacto do fenômeno já é discutido em outras frentes. Um estudo publicado nesta semana projeta 13,3 mil mortes por calor no Brasil por causa do Super El Niño.

O Inmet já registra o setembro mais chuvoso em 83 anos em São Paulo.

Especialistas do setor recomendam plantio direto, materiais genéticos resistentes e reserva de forragem para o gado como forma de reduzir o impacto nos próximos meses.