A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) comprou 191 mil toneladas de milho em dois leilões públicos, realizados em 18 e 21 de setembro deste ano. A compra, de cerca de R$ 228 milhões, reforça os estoques públicos de olho no El Niño.

No leilão de 18 de setembro, a Conab comprou 121 mil toneladas por R$ 152 milhões. Três dias depois, adquiriu mais 70 mil toneladas por R$ 76 milhões.

O volume total representa 85,27% das 224 mil toneladas que a companhia ofereceu nos dois pregões.

Agricultores e agricultoras familiares forneceram 121 mil toneladas do total, quase dois terços do milho comprado. Segundo a Conab, a negociação ocorreu em oito localidades de seis estados: Bahia, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.

A compra desta semana vem na sequência da colheita da safrinha de milho, que já passava de 98% da área prevista em levantamento recente da Conab. O grão do leilão vira ração mais barata para quem cria frango e porco longe dos polos produtores.

A safra brasileira de grãos 2025/26 pode chegar a 366,6 milhões de toneladas, segundo estimativa da Conab.

O El Niño já provoca chuvas acima da média em parte do país, como mostrou o levantamento do Inmet sobre setembro em São Paulo.

Preços do frango subiram 6% em setembro no mercado de São Paulo, no mesmo período em que a Conab reforça os estoques de milho, insumo central da ração animal.

O Ministério da Fazenda reduziu a projeção de crescimento do PIB de 2026 para 2,0%, citando desaceleração do agropecuário no cálculo mais recente.

O que acontece agora

O milho comprado nos leilões vai entrar aos poucos no Programa de Venda em Balcão, que revende o grão a criadores de pequeno porte. A Conab não informou um cronograma de revenda nem preço de referência para as próximas ofertas.

Novos leilões de compra podem ser abertos se a oferta de milho encolher.