O Brasil registrou, até esta quarta-feira (23), 15 acidentes com helicóptero em 2026, dos quais 5 foram fatais, somando 16 mortes. Segundo dados do Cenipa, é o segundo ano mais letal da década, atrás só de 2018, quando 24 pessoas morreram.

O número já inclui a queda de um helicóptero em Urubici (SC), na segunda-feira (21), que matou cinco pessoas: o cantor Rick, da dupla Rick & Renner, o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, e o piloto e o copiloto da aeronave.

A aeronave saiu de Porto Belo, no litoral catarinense, rumo a São Joaquim, na serra, e perdeu contato durante o trajeto. A caixa-preta do helicóptero foi localizada e será enviada ao Labdata, laboratório do Cenipa em Brasília, para leitura dos dados.

Acidentes fatais de helicóptero no Brasil por ano — dados do Cenipa/SIPAER, conferidos em 23/09/2026
AnoAcidentes totaisMortes
2018 (pico da série)1624
20242115
20257
2026 (até 23/09)1516

O número de acidentes e o de mortes nem sempre seguem a mesma curva. Em 2024, foram mais acidentes no total, mas menos mortos do que neste ano.

Olhando para série mais longa, desde 2016 o Brasil somou 182 ocorrências com helicóptero, das quais 53 fatais, com 124 mortes ao todo, segundo o mesmo painel do Cenipa.

Nesse período mais longo, São Paulo lidera em número de ocorrências, com 33, seguido por Minas Gerais (28), Rio de Janeiro (22) e Paraná (20). Rondônia e Sergipe não registraram nenhum caso.

Já num recorte mais recente, de janeiro de 2025 a junho de 2026, o Rio de Janeiro concentrou 64% de todas as ocorrências com helicóptero no país. É sinal de que a distribuição do risco muda dependendo do período observado.

As causas mais registradas pelo Cenipa desde 2016 são perda de controle em voo (57 casos), falha ou pane de motor (25) e colisão com obstáculo durante a decolagem (21). A fase de cruzeiro concentra o maior número de acidentes, seguida do pouso.

Entre os modelos, o Robinson R44 aparece em 63 registros, o Eurocopter AS-350 em 41, e o Robinson R22, em 17 — as três aeronaves mais leves e mais usadas em voos particulares e de trabalho aéreo no país.

O que se repete

Os números do Cenipa mostram um padrão: perda de controle em voo é, disparado, a causa mais comum, à frente de falha mecânica.

A pergunta que fica para depois da análise da caixa-preta de Urubici é se o acidente desta semana repete esse padrão ou aponta para uma causa diferente, o que só a perícia técnica vai poder dizer.