A Polícia Federal aponta que um esquema de desvio de emendas do deputado federal Mário Frias (PL-SP) pode ter passado por advogados, ex-secretários e uma produtora que recebeu dinheiro repassado por Daniel Vorcaro a pedido do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo documento da PF, R$ 2 milhões em emendas destinadas aos projetos "Lutando pela Vida" e "Jovem Empreendedor" podem ter sido desviados por meio de repasses do Instituto Conhecer Brasil (ICB) a empresas ligadas a ex-secretários e advogados do parlamentar.

O esquema também teria passado por gastos de cotas parlamentares e chegado à Go Up, produtora que recebeu dinheiro de Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro para o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A Go Up e o ICB são ligados à empresária Karina Gama, cuja entidade também financiou outro documentário sobre Bolsonaro. Karina nega irregularidades e diz que "investigação não é acusação, muito menos condenação".
Frias, que tenta a reeleição, nega qualquer irregularidade no exercício do mandato. Ele chama de "cortina de fumaça" a operação de busca e apreensão realizada contra ele em 10 de setembro, quando a PF mirou o deputado pela primeira vez neste caso.
Quem mais aparece no esquema, segundo a PF?
Dois advogados de Frias aparecem no documento. Fábio Lago Meirelles, titular da LF&P Consulting, recebeu do ICB R$ 80 mil no projeto "Jovem Empreendedor" e também consta como signatário do estatuto social do instituto.
A PF aponta ainda que Meirelles recebeu R$ 69 mil, entre outubro de 2024 e abril de 2026, da Complexsys, empresa que já recebeu valores milionários do ICB. O escritório de outro advogado, Diego Aguilera Martinez, recebeu R$ 151.427,13 do instituto em um único pagamento.
Me sinto indignado por estar nessa situação, pois os trabalhos foram efetivamente prestados e não há nada além disso.
A frase é de Diego Aguilera Martinez, à Folha. Ele defende que investigar o cliente não pode significar tratar o advogado como se fosse parte do esquema.
O que acontece agora
A PF segue apurando os repasses do ICB e a cadeia de pagamentos a advogados e ex-secretários de Frias. O deputado, que tenta a reeleição em 2026, não teve a candidatura barrada até o momento.
A produtora do Dark Horse já havia pago R$ 137 mil em faturas ligadas a Frias, revelado antes desta apuração da PF chegar a público.





























