Os sinais de Alzheimer exigem avaliação médica quando o esquecimento começa a atrapalhar tarefas comuns, como administrar contas, reconhecer objetos, acompanhar conversas ou encontrar caminhos conhecidos. No Dia Mundial do Alzheimer, nesta segunda-feira (21), médicos reforçam que a autonomia pesa mais que lapsos.

Segundo o g1, a arquiteta Paula Dossa acompanhou a mãe, Marlene, por 12 anos, dos primeiros esquecimentos até a dependência total. O primeiro alerta veio na cozinha, quando Marlene não reconheceu cogumelos que a filha preparava. Marlene morreu em julho deste ano.

\"Cada semana era algo novo que nós descobríamos que ela não lembrava mais o que era\", disse Paula ao g1. O relato ilustra a diferença entre uma falha ocasional de memória e uma mudança persistente no funcionamento diário.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo. Ele compromete memória, linguagem, raciocínio e atividades da vida diária; a pasta afirma que o primeiro sintoma mais característico é a perda de memória recente.

Quando o esquecimento vira alerta?

O esquecimento vira alerta quando muda a rotina: repetir a mesma pergunta, perder-se em caminho conhecido, deixar de administrar contas ou não acompanhar conversas. O ponto central é a perda de função, não um lapso isolado.

O neurocirurgião Luan Messias Magalhães disse ao g1 que os primeiros sinais costumam envolver memória recente. Ele afirmou: \"O principal ponto de atenção é observar quanto essas alterações interferem na rotina.\"

Segundo Magalhães, também podem surgir dificuldade para encontrar palavras, mudanças de humor e comportamento, além de problemas para tomar decisões. A orientação é observar o conjunto dos sinais, sobretudo quando filhos e cuidadores percebem mudanças repetidas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lista sinais parecidos: esquecer eventos recentes, perder objetos, confundir-se em lugares familiares e perder a noção do tempo. A entidade afirma que demência é mais comum depois dos 65 anos, mas não é parte inevitável do envelhecimento.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito por exclusão, segundo o Ministério da Saúde. A avaliação deve descartar depressão, alterações da tireoide e deficiência de vitamina B12, além de examinar memória, linguagem e percepção espacial antes de fechar o quadro.

Esse detalhe muda a orientação prática. A família não deve transformar todo esquecimento em autodiagnóstico, mas levar ao médico exemplos concretos de mudança funcional, como contas atrasadas, caminhos perdidos e tarefas que deixaram de ser feitas.

A TV Sim já mostrou que exames de sangue podem antecipar diagnóstico, mas eles complementam a avaliação clínica, não substituem a consulta.

Segundo a OMS, 57 milhões de pessoas viviam com demência no mundo em 2021, e quase 10 milhões de novos casos surgem por ano. O Alzheimer é a forma mais comum e pode responder por 60% a 70% dos casos.

O que acontece depois da suspeita?

Depois da suspeita, o caminho é procurar a atenção básica ou especialista para avaliação cognitiva e neurológica. O SUS oferece tratamento multidisciplinar, e a OMS afirma que apoio ao cuidador, atividade física e estímulos cognitivos ajudam a preservar qualidade de vida.

O Ministério da Saúde informa que o tratamento medicamentoso busca estabilizar ou retardar sintomas, com remédios como donepezila, galantamina, rivastigmina e memantina. A pasta também destaca que os cuidados precisam ocorrer em tempo integral, o que torna a família parte central.

A prevenção específica ainda não existe. A OMS recomenda atividade física, controle de pressão, colesterol e glicemia, vida social ativa e uso de aparelhos auditivos quando necessários.

A TV Sim já mostrou como parte do risco de demência pode ser reduzida e como a queda nas conversas afeta o cérebro.