A Susep, órgão que regula o mercado de seguros, colocou em consulta pública uma proposta para exigir mais transparência das seguradoras sobre riscos climáticos. A medida chega num momento em que o Brasil tem o 2º pior gap de proteção contra catástrofes naturais do mundo.

Entre 14 países analisados, só um tem situação pior que a brasileira. Para cada R$ 100 de prejuízo com evento extremo, apenas R$ 7 estão cobertos por algum seguro.

O tamanho do descoberto climático no Brasil

  • 93%gap de proteção do Brasil contra catástrofes naturais
  • R$ 7cobertos por seguro a cada R$ 100 de prejuízo climático
  • R$ 88 biprejuízo das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul
  • R$ 3,89 biindenizações pagas pelas seguradoras às vítimas das enchentes

Fonte: Susep e CNseg · verificado em 23/09/2026

Os números ajudam a entender por que a nova regra da Susep importa. Quanto mais claro for o risco climático de cada seguradora, mais fácil fica cobrar cobertura para quem mais precisa.

O que muda com a nova regra da Susep

A proposta da Susep substitui a Circular 666, de 2022, e amplia as informações que seguradoras, entidades de previdência aberta, capitalizadoras e resseguradoras locais devem divulgar sobre riscos climáticos, sociais e de governança, alinhando o país aos padrões internacionais IFRS S1 e S2.

A regra passa a valer em 31 de dezembro de 2026. As seguradoras vão coletar os dados ao longo de 2027, e os primeiros relatórios chegam ao público em 2028.

A Susep consultou 196 empresas do setor antes de fechar a proposta, e 183 delas responderam, 93% do universo regulado.

Por que o Rio Grande do Sul é o exemplo mais claro

O Rio Grande do Sul é o estado com maior taxa de seguro residencial do país, com 38% das casas seguradas. Ainda assim, muitos contratos não cobrem enchente nem alagamento, o risco que mais castigou o estado em 2024.

As enchentes daquele ano atingiram 478 dos 497 municípios gaúchos, mataram 184 pessoas e deixaram 26 desaparecidos, com prejuízo de R$ 88 bilhões.

As seguradoras registraram 48.870 avisos de sinistro e pagaram R$ 3,89 bilhões em indenizações, segundo balanço da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) de junho daquele ano. A diferença entre o prejuízo total e o valor indenizado é o próprio gap de proteção.

O que uma apólice cobre varia caso a caso. Já explicamos, por exemplo, o que um seguro residencial cobre num incêndio, e enchente costuma exigir cláusula à parte.

O mercado de seguros brasileiro também vem passando por outras mudanças recentes, da digitalização à entrada de novos produtos.

O que acontece agora

A CNseg e a Associação Portuguesa de Seguradoras vão apresentar na COP30 uma ferramenta conjunta de prevenção a eventos climáticos, resultado da cooperação entre as duas entidades.

A nova regra da Susep não cobre o consumidor final, nem promete baixar o preço do seguro. O que ela força é a seguradora dizer, com números, o quanto sabe sobre o risco que corre.

Só isso já mostraria se o mercado está pronto para cobrir mais do que os R$ 7 de cada R$ 100 perdidos hoje. O primeiro teste chega em 2028, quando as seguradoras publicarem os primeiros relatórios.