O senador republicano John Curtis pediu nesta terça-feira (22) que o Comitê Judiciário do Senado dos Estados Unidos investigue se a família do presidente Donald Trump está lucrando com o mandato dele. O pedido mira empresas do filho mais velho de Trump, Donald Trump Jr.
Curtis também pediu que se investiguem pagamentos feitos por um oligarca russo para as comemorações do casamento de Trump Jr. nas Bahamas, neste ano. Democratas do Congresso já haviam aberto investigação sobre os mesmos pagamentos na semana passada.
Curtis, de Utah, só concorrerá à reeleição em 2030.
O presidente do comitê, Chuck Grassley, disse a jornalistas que vai avaliar o pedido com seriedade, mas alertou que a decisão deve levar tempo. Não há expectativa de resposta antes das eleições de meio de mandato, em 3 de novembro.
A pressão sobre Trump não vem só de dentro do partido. Nesta semana, o presidente brasileiro Lula também criticou as operações militares dos EUA em outros países, em entrevista à CNN.
Por que republicanos se afastam de Trump a seis semanas da eleição
A carta de Curtis é o exemplo mais recente de republicanos proeminentes tentando criar distância do presidente, cada vez mais impopular a seis semanas das eleições de meio de mandato, nas quais o partido defende maiorias estreitas no Congresso.
Os candidatos republicanos ao Senado Ashley Hinson e Mike Rogers pediram o fim imediato da guerra no Irã, mesmo conflito que, segundo Lula, encareceu o combustível e a comida ao redor do mundo.
Nos EUA, o mesmo conflito é apontado como principal preocupação dos eleitores, que elevou os preços de energia e o custo de vida diante da eleição de novembro.
O republicano Paul LePage, ex-governador do Maine que concorre a uma vaga na Câmara, criticou a deportação de imigrantes sem documentos promovida por Trump. Segundo ele, a repressão deveria mirar membros de gangues e criminosos violentos.
"Não acho que seja o começo do fim", disse o senador Thom Tillis, da Carolina do Norte, ao ser questionado sobre o significado dos comentários dos candidatos. "Mas eles precisam ter flexibilidade para expressar preocupações reais, porque os eleitores também têm essas preocupações."
Tillis deve se aposentar em janeiro; não vai concorrer à reeleição.
Os números que mostram a crise de popularidade de Trump
Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 21 de setembro mostrou a aprovação de Trump em 32%, a mais baixa desde que ele assumiu o segundo mandato, quando estava em 47%. A desaprovação chegou a 66%.
A crise de popularidade acontece na mesma semana em que Trump defendeu proibir a exportação de diesel dos EUA, medida que atinge parceiros comerciais como o Brasil.
O apoio entre republicanos também caiu, de 82% para 73% em relação ao levantamento anterior. Apenas 17% dos americanos aprovam a forma como Trump lida com o custo de vida, tema apontado como decisivo para o voto em novembro.
O instituto ouviu 1.277 adultos entre 17 e 20 de setembro, com margem de erro de cerca de 3 pontos percentuais.
O que a fuga republicana sinaliza
A distância que republicanos tentam criar de Trump, a seis semanas de uma eleição decisiva, é rara dentro do próprio partido. Com a aprovação na casa dos 30%, a pergunta que fica é se o padrão vai se espalhar até 3 de novembro.





























