A Casas Bahia aprovou duas novas emissões de notas comerciais que somam R$ 368,2 milhões, recurso que a varejista usará para gerir o caixa durante o processo de recuperação judicial. A 100ª emissão soma R$ 240,8 milhões, e a 101ª, R$ 127,2 milhões.
As duas captações foram subscritas integralmente por um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC), cujo nome não foi revelado. Em março, a companhia já havia levantado R$ 1,38 bilhão na 35ª emissão do mesmo tipo de título.
Junto com a nova captação, a empresa ratificou o vencimento antecipado automático das debêntures da 11ª emissão, cláusula que passou a valer com o pedido de recuperação judicial apresentado em agosto.
Por que a empresa precisa de caixa novo
A Casas Bahia pede recuperação judicial depois de fechar o 2º trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, dezoito vezes o prejuízo do mesmo período de 2025.
Do total, R$ 9,1 bilhões vieram do efeito contábil, sem impacto direto em caixa, do fechamento de 298 lojas.
A varejista soma hoje cerca de R$ 17 bilhões em dívidas com bancos, fornecedores e outros credores. A nova captação de R$ 368,2 milhões é uma fração desse total, e serve para manter a operação girando enquanto o plano de recuperação avança.
A Casas Bahia não é a única grande rede varejista em dificuldade neste ano. O Habib's também entrou em recuperação judicial com dívida de R$ 265,2 milhões.
O setor de varejo como um todo fechou 1,1 mil lojas e cortou 46 mil vagas no mesmo período.
O sindicato Secor, que representa comerciários, afirmou que os trabalhadores das lojas fechadas foram pegos de surpresa e ainda aguardam detalhes sobre rescisão, saque do FGTS e seguro-desemprego.
O que acontece agora
O plano de recuperação judicial da Casas Bahia segue em andamento, sob acompanhamento da Justiça de São Paulo. A empresa mantém a promessa de melhorar a margem nas lojas remanescentes, mas ainda não apresentou data para voltar a dar lucro.





























