O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concentra apoiadores nesta segunda-feira (7) na Avenida Paulista, em São Paulo, a partir das 15h. A organização espera pelo menos 100 mil pessoas. Horas antes, a Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar um grupo de manifestantes de esquerda que tentava se aproximar da via.

Os organizadores confirmaram 33 nomes no palanque, entre eles Michelle Bolsonaro, o governador Tarcísio de Freitas, o prefeito Ricardo Nunes, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o pastor Silas Malafaia, segundo o Poder360. Os motes são "Fora Lula, Fora Moraes" e "É agora ou nunca".

O confronto antes do ato

Segundo o InfoMoney e a Rádio Itatiaia, a PM dispersou com bombas de gás um grupo que tentava avançar rumo à Paulista horas antes do ato. Agentes relataram que os manifestantes eram de esquerda e carregavam cartazes com a frase "Fora, Tarcísio".

O ato também vira palco da crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no STF, agravada por mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, reveladas pelo Estado de S. Paulo.

Do outro lado da cidade, o "Grito dos Excluídos e das Excluídas" ocupa a Praça da Sé desde as 7h, com café da manhã para moradores de rua. O ato, de movimentos sociais e sindicatos, não tem equivalente do mesmo porte da Paulista.

Praça da Sé e Praça da República são os pontos tradicionais da esquerda no 7 de Setembro. O ato "Povo Independente é Povo Soberano" reuniu cerca de 8.800 pessoas ali em 2025, bem abaixo dos 58 mil que a Paulista recebeu em 2024.

O que mostram as pesquisas

A pesquisa Datafolha, contratada por Folha de S.Paulo e Grupo Globo em cenário estimulado, ouviu 2.002 eleitores no país de 1º a 2 de setembro, registro BR-03669/2026 no TSE.

O resultado, de 3/9, mostra Lula com 46% a 44% sobre Flávio no 2º turno, dentro da margem de erro de 2 pontos e 95% de confiança. No 1º turno, a mesma pesquisa aponta Lula com 38%, Flávio com 33% e Cury com 8%.

A pesquisa anterior, de 21 de agosto pelo mesmo instituto (Folha da Manhã e Globo, estimulada, 2.058 entrevistados, registro BR-04496/2026 no TSE), tinha a mesma margem de erro e confiança.

Ela media Lula em 47% contra 43% de Flávio, diferença que caiu de 4 para 2 pontos entre as duas pesquisas. A distância encolheu à metade em duas semanas, sinal de disputa mais acirrada.

A campanha de Flávio Bolsonaro orientou aliados a evitar ataques ao sistema eletrônico de votação e ao TSE, segundo relato do jornalista Cláudio Dantas ligado à equipe jurídica do candidato.

A recomendação também veta ameaças a autoridades e acusações de crime sem provas. A orientação contrasta com 2021, quando Jair Bolsonaro atacou o STF e questionou as urnas, o que virou objeto de CPI.

A um mês do primeiro turno, os planos de governo de Lula e Flávio divergem no essencial, da política econômica à relação com o Supremo.

Em Minas Gerais, a direita mineira também vai às ruas nesta segunda, dividida entre os pré-candidatos Roscoe e Cleitinho.

Em Brasília, o governo federal montou esquema de segurança para 30 mil pessoas no desfile cívico-militar, no mesmo feriado.