O deputado federal Igor Timo (União-MG), nascido em Virgem da Lapa, no Vale do Jequitinhonha, coordena desde junho de 2025 a bancada mineira no Congresso Nacional — grupo formado pelos 53 deputados federais e três senadores do estado. Empresário do setor de segurança privada, está no segundo mandato e já foi líder do Podemos na Câmara.

A biografia oficial da Câmara dos Deputados registra o nascimento em 10 de abril de 1982, em Virgem da Lapa, e a profissão de empresário. A formação veio da área técnica: curso técnico em Informática no Cotemig, entre 1998 e 1999, e Ciência da Computação na FUMEC, entre 2006 e 2008. Em 2001, tornou-se coordenador de Operação e Manutenção de Redes na Polícia Civil de Minas Gerais, onde, segundo o site oficial do parlamentar, participou da informatização de mais de 70% das delegacias do estado. Em 2005, fundou com o pai, Tarcísio Timo, a TBI Segurança, no ramo de segurança privada, da qual foi diretor-geral. Entre 2016 e 2018, presidiu a Associação das Empresas Prestadoras de Serviço de Minas Gerais.

A estreia nas urnas veio em 2018, quando foi eleito deputado federal com 60.509 votos, segundo o site oficial do parlamentar — a mesma página registra a reeleição em 2022, com 74.465 votos, e a atuação dele como sub-relator da CPI de Brumadinho. O primeiro mandato, iniciado em 2019, coincidiu com o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale S.A., em Brumadinho, ocorrido em 25 de janeiro de 2019. A Câmara instalou uma comissão parlamentar de inquérito para apurar as causas e as responsabilidades pelo desastre, presidida por Júlio Delgado e relatada por Rogério Correia.

De que partido é Igor Timo?

Ele está hoje no União Brasil, mas chegou ao Congresso por outra legenda. O registro de filiações da Câmara mostra a sequência: Podemos, de 2019 a 2023; PSD, de 2024 a 2026; e União, em 2026. Foi dentro do Podemos que ocupou seus cargos partidários mais relevantes — vice-líder entre 2019 e 2021 e líder da bancada na Câmara de 9 de fevereiro de 2021 a 31 de janeiro de 2023. Já no mandato seguinte, exerceu a vice-liderança do Governo entre 2023 e 2024.

O que ele faz hoje no Congresso?

Em 17 de junho de 2025, ainda filiado ao PSD, foi eleito coordenador da bancada mineira por 25 votos a 9 contra Newton Cardoso Júnior (MDB), substituindo Luiz Fernando Farias. Na Câmara, é titular de sete colegiados, entre eles a Comissão de Saúde, a comissão externa sobre a fiscalização dos rompimentos de barragens e a comissão externa sobre os impactos das chuvas intensas na Zona da Mata mineira. Desde 3 de março de 2026, é 2º vice-presidente da comissão especial que analisa a Política Nacional para Pessoas com Autismo.

As chuvas de fevereiro na Zona da Mata, especialmente em Juiz de Fora, provocaram mortes, destruição de moradias, deslocamento de famílias e interrupção de serviços públicos essenciais, segundo a Câmara. Em entrevista à Rádio Câmara publicada em 26 de fevereiro de 2026, Timo defendeu que a bancada mineira direcione emendas do Orçamento para obras de drenagem e planos de segurança. "Eu vou provocar a bancada para que a gente possa fazer novamente uma reunião e discutir o envio de recurso por parte da bancada para as próximas indicações voltadas exclusivamente para isso", afirmou. Ele acrescentou que a meta é que todos os municípios com histórico de catástrofes tenham "no mínimo um plano de segurança feito juntamente com a Defesa Civil e com o Corpo de Bombeiros".

O retrato que emerge desse conjunto — e aqui vale registrar que se trata de uma leitura editorial desta reportagem, não de uma definição do próprio parlamentar — é o de um político de perfil pragmático e discreto, que troca o palanque pela negociação de recursos e mede o mandato por obra entregue. É um estilo com genealogia mineira. Juscelino Kubitschek nasceu em Diamantina, no mesmo Vale do Jequitinhonha de onde veio Timo, foi deputado federal, prefeito de Belo Horizonte, governador de Minas e presidente da República entre 1956 e 1961, quando sintetizou seu Plano de Metas no lema "50 anos em 5" e construiu Brasília, inaugurada em 21 de abril de 1960. A escala é incomparável e a comparação não é do deputado; o traço comum, no plano do estilo, é a preferência pela entrega concreta sobre o discurso.