A Polícia Federal indiciou o presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, e outras 15 pessoas nesta sexta-feira (7) pela queda do avião que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024. Segundo a PF, a diretoria orientava, em grupo de WhatsApp, que falhas técnicas só fossem registradas quando a aeronave retornasse à base em Ribeirão Preto (SP).

De acordo com a PF, a recomendação evitava que a aeronave fosse impedida de voar em outras localidades enquanto o problema não era formalizado. A investigação concluiu que a empresa omitia relatos de falha para burlar a fiscalização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), resultado de uma "repetida omissão de manutenção do sistema de degelo, potencializada por uma cultura de gestão na companhia aérea que priorizava a disponibilidade da frota em detrimento da segurança operacional", nas palavras da corporação.

O que Felício admitiu em depoimento?

Em depoimento prestado na terça-feira (4), Felício confirmou ter conhecimento sobre a prática de não registrar determinadas falhas no livro de bordo. Ele também admitiu que um sistema automatizado de monitoramento, capaz de identificar a reincidência da falha no sistema de degelo, estava "nos planos" da empresa, mas "não havia sido, de fato, implementado até a data do acidente".

Segundo a PF, o presidente da Voepass reconheceu ainda que "a aeronave não deveria estar naquela condição, mas também não deveria ter sido despachada para aquela rota".

Quem mais foi indiciado no caso?

Ao todo, a PF indiciou 16 pessoas: 15 pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo, qualificado pela destruição da aeronave com resultado morte, e uma por falsidade ideológica. Além de Felício, também integravam o grupo de WhatsApp da diretoria Willian Agatz, gerente do Centro de Controle Operacional; Eric Consoli, diretor técnico; e Raphael Limongi de Figueiredo, chefe do CCO — todos indiciados.

O avião, um ATR 72-500 de prefixo PS-VPB, caiu em Vinhedo (SP) em 9 de agosto de 2024, matando os 58 passageiros e 4 tripulantes a bordo. O inquérito da PF será agora encaminhado ao Ministério Público Federal, responsável por decidir se apresenta denúncia formal contra os indiciados à Justiça.