Preso desde 2021 pela pirâmide da GAS Consultoria, Glaidson Acácio dos Santos, o Faraó dos Bitcoins, deu neste domingo (6) sua primeira entrevista à TV Globo desde a prisão. Na Penitenciária Federal de Catanduvas (PR), ele admitiu à Justiça Federal ter manipulado preços de criptomoedas com o dinheiro captado de investidores.
O programa foi ao ar no mesmo domingo em que a Justiça remarcou outro capítulo do caso. O júri sobre o homicídio do trader Wesley Pessano, 19, estava previsto para 2 de setembro e passou para 25 de fevereiro de 2027.
É o mercado, uns riem, outros vendem lenço. O mercado é capitalista.
A GAS Consultoria & Tecnologia, fundada por Glaidson no Rio de Janeiro, prometia 10% ao mês a quem investisse em bitcoin pela empresa. A Polícia Federal o prendeu em agosto de 2021, na Operação Kryptos.
A PF estima que 300 mil pessoas aplicaram dinheiro no esquema, que integra uma onda recente de golpes financeiros digitais com promessa de lucro rápido.
Segundo relatos ao Fantástico, investidores chegaram a vender carro e moto, e a contrair empréstimo consignado, para aplicar na GAS. Um deles afirmou ter perdido mais de R$ 500 mil.
Como o valor do rombo mudou desde a prisão
Em setembro de 2022, a Justiça Federal determinou que Glaidson depositasse R$ 19 bilhões em conta judicial em 72 horas, para ressarcir os investidores. Uma associação de defesa do consumidor pedia, na época, o ressarcimento de R$ 17 bilhões aos ex-clientes.
Em maio de 2025, a Justiça confirmou a falência da GAS Consultoria, reconhecendo R$ 9 bilhões em dívidas, bem menos que os R$ 19 bilhões cobrados em 2022.
A denúncia que embasa o processo criminal aponta uma movimentação total de R$ 38 bilhões entre 2015 e 2021, incluindo mais de R$ 1 bilhão em exchanges estrangeiras, segundo estimativa da Polícia Federal.
Passados quase quatro anos da ordem de depósito, o valor do prejuízo muda a cada etapa do processo, mas o dinheiro ainda não voltou às vítimas.
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Além do processo financeiro, Glaidson responde pelo homicídio de Pessano e é investigado pela tentativa de homicídio de Nilson Alves da Silva, que ficou tetraplégico. Em agosto de 2025, a Polícia Civil prendeu Thiago Júlio Galdino, apontado como o executor dos crimes a mando dele.
O esquema da GAS não é um caso isolado no mercado de criptoativos brasileiro. A Justiça também aponta indícios de pirâmide na AJX Capital, que reúne 10 mil investidores cobrando R$ 350 milhões.
O que acontece agora
O júri pelo homicídio de Pessano acontece em 25 de fevereiro de 2027. A falência da GAS segue em curso na Justiça, liquidando bens de Glaidson e da esposa, Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, para tentar ressarcir os investidores.


























