O Ministério da Saúde iniciou nesta sexta-feira (7) a Campanha Nacional de Multivacinação 2026, que reforça a caderneta de crianças e adolescentes menores de 15 anos com 20 vacinas do calendário nacional. A mobilização segue até 1º de setembro, com Dia D previsto para 22 de agosto em todo o país.

O sarampo é o alvo declarado do reforço.

Segundo o Ministério da Saúde, foram distribuídas 7,2 milhões de doses da vacina tríplice viral a estados e municípios em 2026, das quais cerca de 2,9 milhões já foram aplicadas.

Em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, a recomendação de vacinação contra o sarampo foi ampliada para toda a população de 6 meses a 59 anos.

"Estamos recuperando a cobertura vacinal, mas sempre temos que manter isso atualizado. Também estamos chamando a atenção para o reforço da vacina do sarampo", disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A edição deste ano é a primeira a incluir a pneumocócica 20-valente, incorporada ao Calendário Nacional de Vacinação em 2026. O imunizante amplia a proteção contra pneumonias e meningites causadas pelo pneumococo e é indicado a crianças menores de 5 anos.

A campanha também oferece a vacina contra a dengue para adolescentes de 10 a 14 anos e a vacina contra a covid-19 para crianças, conforme as indicações específicas de cada imunizante.

Quem deve procurar o posto de saúde?

Pais e responsáveis de crianças e adolescentes menores de 15 anos podem levar a caderneta de vacinação ao posto de saúde durante o período da campanha, até 1º de setembro.

Os profissionais conferem o documento e aplicam somente as doses necessárias para iniciar ou completar o esquema previsto no calendário nacional.

Em São Paulo, dados preliminares da Secretaria estadual de Saúde apontam cobertura de 77,5% para a primeira dose da tríplice viral e de 65,5% para a segunda dose neste ano.

O reforço acontece num momento de recuperação nacional.

Segundo relatório da OMS e do Unicef divulgado em julho, o Brasil teve o segundo maior avanço mundial na cobertura da vacina contra difteria, tétano e coqueluche entre 2019 e 2025. A alta foi de 19 pontos percentuais, atrás apenas da Líbia.

O número de crianças brasileiras sem nenhuma dose de vacina caiu de 360 mil em 2023 para 50 mil em 2025.

Quantos países avançaram no mesmo ritmo do Brasil

Entre os 195 países avaliados pela OMS e pelo Unicef desde 2019, só 30 ampliaram a cobertura vacinal. Os outros 65 ficaram estagnados ou recuaram.

O Brasil está no grupo que avançou, mas vem de uma queda contínua na cobertura vacinal iniciada em 2015. A pergunta que a Multivacinação 2026 ainda não responde é se esse ritmo resiste sem o empurrão de uma campanha nacional.