Decisões do ministro do Supremo André Mendonça sobre os casos do Banco Master e das fraudes no INSS vêm gerando desconfiança na cúpula da Polícia Federal, que já pediu à Advocacia-Geral da União para reverter uma ordem de Mendonça sobre acesso a provas. Mendonça se reuniu nesta quinta (6) com o ministro da Justiça para tentar baixar a tensão.
Mendonça é o relator atual dos dois casos. No mesmo dia da reunião, os 27 superintendentes regionais da PF divulgaram nota conjunta afirmando que "a atividade investigativa da Polícia Federal não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei". Segundo apuração, o governo prometeu reforçar as equipes da PF dedicadas a investigações de corrupção.
O estopim: o caso Master
O atrito remonta à relatoria anterior do caso Master, quando o ministro Dias Toffoli determinou que as provas apreendidas ficassem guardadas na Procuradoria-Geral da República, e não na PF, além de indicar peritos e encurtar o prazo da apuração — medidas vistas por investigadores como incomuns. Toffoli deixou a relatoria depois que a PF entregou ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório mostrando que o próprio Toffoli era citado em mensagens de celulares apreendidos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Já sob relatoria de Mendonça, a PF suspeita que o senador Jaques Wagner (PT-BA) tenha recebido propina de um ex-sócio do Master; o ministro retirou o sigilo dessa investigação na semana passada e apontou risco de vazamento, já que um dos investigados pediu audiência em seu gabinete no mesmo dia em que a PF solicitou a busca e apreensão. O advogado de Wagner não comentou o caso, alegando que o ministro não citou seu cliente nominalmente na decisão. Em outra frente da Operação Sem Desconto, Mendonça autorizou busca e apreensão contra o advogado Willer Tomaz, suspeito de lavar dinheiro para o senador Weverton Rocha (PDT-MA); ambos negam irregularidades.
PF pede ajuda da AGU contra Mendonça
Do lado da corporação, o desconforto é com a ordem de Mendonça para que a PF entregue rapidamente todo o material bruto das investigações do INSS — fora do fluxo usual, em que o magistrado toma conhecimento do caso por relatórios policiais e pareceres do Ministério Público. A cúpula da PF pediu à AGU que reverta essa medida.
A apuração do INSS ganhou repercussão após surgirem suspeitas, no fim de 2025, contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula — que nega qualquer prática de crime e teve sigilos quebrados por Mendonça desde fevereiro, a pedido da própria PF. Delegados também reclamavam da demora do ministro para autorizar busca e apreensão contra o ex-governador do Rio Cláudio Castro, suspeito de irregularidades num fundo de pensão que comprou ativos do Master; a medida só saiu em maio, dois meses após o pedido da polícia.














