O pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) afirmou, em entrevista ao g1 e à GloboNews nesta quinta-feira (6), que não tem "ninguém do meu partido" sendo investigado. A Agência Lupa checou a declaração e apontou um caso: o deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo-MT), que teve R$ 200 mil em espécie apreendidos em 30 de abril durante busca e apreensão da Operação Emenda Ocu, em Cuiabá. Segundo a checagem, a apreensão ocorreu em fase de investigação — não há condenação contra o deputado, que é presumido inocente até decisão judicial definitiva.

Na entrevista, Zema criticava ministros do STF ao explicar como faria privatizações, incluindo da Petrobras, sem se envolver em escândalos. Disse: "Vou ser eleito sem o rabo preso, não tenho filho sendo investigado, não tenho ninguém do meu partido sendo investigado. Até por isso que eu sou o candidato que mais tem denunciado essa farra dos intocáveis em Brasília e estou respondendo a um processo do intocável Gilmar Mendes, que se sentiu caluniado."

De acordo com a checagem da Lupa, os valores foram encontrados no cumprimento de mandados de busca e apreensão expedidos no âmbito da Operação Emenda Ocu. A reportagem não teve acesso a manifestação do deputado ou de sua defesa até a publicação; o espaço permanece aberto.

O que mais a checagem confirmou

A Lupa confirmou como corretas duas outras afirmações de Zema na mesma entrevista: que Minas Gerais saiu do déficit para o superávit fiscal durante o governo dele, e que cerca de 60 milhões de brasileiros vivem em áreas sob influência do crime organizado.

Sobre indicações ao STF, a checagem apontou que a Constituição e o CNJ não proíbem explicitamente o presidente de nomear parentes para ministro da Corte. O indicado precisa passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, hoje composta por 27 parlamentares. Zema se referia ao caso do filho de Lula investigado no INSS e a um pedido de inquérito das fake news feito pelo ministro Gilmar Mendes, depois que o candidato divulgou vídeos criticando magistrados do STF.