A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, criticou nesta sexta-feira (7) o que chamou de inércia do governo federal e do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) na liberação de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para socorrer o Banco de Brasília (BRB). A declaração ocorre na véspera de nova audiência de conciliação no STF, marcada para 13 de agosto.

Em nota na quinta-feira (6), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou de "totalmente descabida" a acusação de inércia feita pelo GDF. Celina rebateu: "Nós não vamos cometer esse erro. Nossa fala aqui sobre o BRB é técnica, em cima de dados", disse a governadora.

Nesta sexta, ela apresentou o balanço financeiro do banco: o déficit de R$ 5 bilhões foi revertido, e a projeção agora é de superávit de até R$ 3 bilhões em 2026. O resultado elevou a nota de capacidade de pagamento (Capag) do Distrito Federal de C para A. "Para efeitos jurídicos, a Capag A provisória serve", disse Celina.

Como o rombo do Banco Master chegou ao BRB

A crise nasceu da relação do BRB com o Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Entre julho de 2024 e outubro de 2025, o banco público comprou bilhões de reais em ativos e carteiras de crédito do Master — parte deles ligada a operações inexistentes ou com problemas de garantia, segundo a Polícia Federal. A Operação Compliance Zero, aberta em novembro de 2025, aponta a maior fraude já registrada contra o Sistema Financeiro Nacional, com bilhões de reais bloqueados pela Justiça.

Os termos do empréstimo em negociação

O socorro ao BRB depende do empréstimo de R$ 6,6 bilhões do FGC, com aval de um sindicato de bancos e contragarantias dos fundos de participação dos estados e municípios. "Estamos terminando todas as questões burocráticas", afirmou Celina. O acordo foi firmado em 28 de maio entre União, GDF, Banco Central e BRB, com homologação do ministro do STF Luiz Fux. Ele prevê carência de dois anos e amortização em 15 — termos ainda não definitivamente aceitos. O GDF também terá de seguir as restrições fiscais do artigo 167-A da Constituição e destinar eventual indenização judicial do caso à quitação da dívida. As duas partes voltam a se reunir no STF nesta quinta-feira (13).