O candidato do PT ao governo de Minas Gerais, Patrus Ananias, afirmou que vai tratar a privatização da Copasa como um fato consumado e disse que vai fiscalizar o cumprimento dos contratos, em vez de recorrer à Justiça para tentar reverter a venda.
"A privatização foi um grande erro. Não vou chegar também quebrando os contratos", disse Patrus, em entrevista ao Estado de Minas publicada nesta quinta-feira (24). Segundo o candidato, o plano é primeiro negociar com a empresa.
"Se a empresa não estiver cumprindo o contrato, se as pessoas estiverem sendo privadas dos benefícios da água... nós vamos rever o contrato", afirmou, admitindo que poderia cancelar contratos de serviço se necessário.
A estratégia contrasta com a de outros grupos de oposição na Assembleia Legislativa de Minas (ALMG), que apostam em disputa judicial para tentar barrar a venda, segundo o O Tempo.
O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) rejeitou por unanimidade, em 22 de setembro, os embargos do Sindágua, sindicato dos trabalhadores da Copasa, contra a operação. Uma assembleia geral estava prevista para 28 de setembro para formalizar a mudança de controle acionário.
A privatização foi concluída em junho: a Equatorial pagou cerca de R$ 5,6 bilhões por 30% do capital da Copasa, a R$ 49,03 por ação, ágio de 3,8% sobre o preço mínimo.
O negócio, fechado sem concorrência, reduziu a fatia do governo estadual na empresa de 50,03% para cerca de 5%.
Patrus mantém a crítica à privatização, mas reconhece limites. "Minha posição foi sempre contrária a essa privatização", diz, mas chama a reestatização de processo complexo e demorado, ao qual está "comprometido com o Estado democrático de direito".
O plano de governo do petista prevê acompanhar as transições institucionais, preservar empregos, manter o corpo técnico e fortalecer a agência reguladora com autonomia técnica, administrativa e financeira.
Como foi o processo de venda da Copasa?
A venda seguiu um leilão sem concorrência: só a Equatorial apresentou proposta pelas ações. O Cade já vinha analisando a operação desde junho, quando aprovou a compra e definiu condições de fiscalização.
O preço mínimo de R$ 47,23 por ação havia sido fixado pela própria Copasa antes do leilão, em junho.
O que acontece agora
A assembleia geral que formaliza a mudança de controle acionário estava marcada para 28 de setembro. Patrus disputa o primeiro turno da eleição para o governo de Minas em 4 de outubro, atualmente em segundo lugar nas pesquisas.






























