A empresa Fatal Model, dona de um site de anúncios de acompanhantes, ofereceu R$ 120 milhões ao Corinthians para assumir o patrocínio máster do time por um ano, segundo comunicado da empresa neste domingo (27), após o governo proibir a publicidade de apostas.
O Corinthians tem hoje a Esportes da Sorte como patrocinadora máster, com pagamento fixo de R$ 150 milhões por ano, podendo chegar a R$ 200 milhões em bônus, em contrato que iria até dezembro de 2029.
A medida provisória que proíbe as bets no Brasil torna esse contrato inviável a partir de 6 de outubro. Dos R$ 276,7 milhões em patrocínios previstos no uniforme do clube para 2026, a Esportes da Sorte responde por 54,2% do total.
A proposta não mexe no patrocínio que a empresa já tem no clube pela marca Fatal Fans, de conteúdo adulto: contrato de R$ 22 milhões até 2027, no calção do time masculino.
No futebol feminino, a mesma marca banca o salário da atacante Gisela Robledo até agosto de 2027.
Em comunicado, a Fatal Model disse ter feito a mesma oferta ao Flamengo e afirmou ter mais de 20 milhões de usuários brasileiros por mês. "O futebol é uma das importantes plataformas de comunicação utilizada pela Fatal Model", diz a nota da empresa.
A mesma empresa já perdeu um patrocínio na Justiça. Em julho, a 28ª Vara da Infância e Juventude de Alagoas mandou o CSA retirar a marca Fatal Model das camisas, após ação do Ministério Público.
O clube também foi condenado a pagar R$ 100 mil de indenização.
"A gravidade da conduta reside na circunstância de que, nos eventos esportivos, a mensagem publicitária atinge não somente os torcedores adultos, mas também um público particularmente vulnerável, composto por crianças e adolescentes", escreveu a juíza Fatima Pirauá na decisão.
A oferta chega num momento em que o próprio Corinthians soma R$ 246 milhões de rombo financeiro. É esse aperto no caixa que ajuda a explicar por que o clube nem descartou a proposta.
O que acontece agora
A MP que proíbe as bets ainda precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para não perder a validade. Até lá, o Corinthians segue lidando com um déficit 78% acima do previsto e avalia alternativas para o espaço mais valioso da camisa.
O impacto não é só do Corinthians: o setor calcula que o fim das bets pode tirar R$ 1 bilhão do futebol brasileiro em patrocínios.





























