O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o fim do fundo eleitoral em entrevista à Band exibida neste domingo (27), classificando o modelo atual de financiamento de campanhas como uma "promiscuidade generalizada na política". Ele defendeu uma reforma política ampla no país.

Não é possível a gente continuar com a promiscuidade política do jeito que está.

O presidente disse que só ele teria condição de fazer essa mudança avançar: "Se eu não fizer, ninguém faz."

Por que o fundo eleitoral existe

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha foi criado em 2017, dois anos depois de o STF proibir doações de empresas a campanhas, consideradas inconstitucionais em 2015.

Para especialistas em direito eleitoral, o financiamento público reduz a corrupção ligada a doações privadas e aumenta a igualdade entre candidatos, ao limitar o peso do poder econômico na disputa.

O montante, porém, cresceu rápido. A previsão inicial do governo para 2026 era de R$ 1 bilhão, mas o Congresso elevou o valor para R$ 4,9 bilhões, avanço de 390% frente a 2022, segundo levantamento da Fundação Astrojildo Pereira.

A distribuição também ficou mais concentrada. Em 2022, União Brasil, PT e MDB somaram 33,12% do fundo; para 2026, a expectativa é que União Brasil, PT e PL fiquem com 41,17% do total, com o PL como maior beneficiado isolado.

Lula também citou o controle sobre o uso do dinheiro do fundo como problema: "Nem sempre se controla o que faz com o dinheiro." O próprio presidente acionou o TSE contra o PL por suposto desvio de R$ 134 milhões do fundo partidário em agosto.

O peso do fundo eleitoral também mudou o cálculo dos próprios parlamentares: reformas da última década tornaram o voto local mais rentável para deputados em busca de reeleição.

O ponto em aberto

Lula critica o fundo como fonte de "promiscuidade", mas o PT, seu partido, está entre os três maiores beneficiados do mesmo fundo em 2026. Qualquer reforma que reduza ou extinga o fundo depende de aprovação no Congresso pelos partidos que mais dependem dele hoje.