Gestores de fundos internacionais buscam estratégias para reduzir a exposição de suas carteiras à inteligência artificial, à medida que o setor concentra o mercado financeiro dos Estados Unidos. Dois terços das empresas do Russell 1000 já estão ligadas à IA, segundo o Citigroup.

O JPMorgan calcula que as big techs e companhias beneficiadas pelo boom de IA, como a Nvidia, que lucrou US$ 59,7 bi no trimestre, somam 16% do mercado americano de títulos de grau de investimento, o maior grupo do segmento.

A fatia cresceu após uma onda de captação de empréstimos dessas empresas nos últimos anos.

"Os clientes estão reavaliando a forma como precisam diversificar", disse Vincent Mortier, diretor de investimentos da gestora francesa Amundi.

Para Mortier, o tema da IA é "muito poderoso", mas um fator inesperado, como uma grande revisão dos lucros, poderia mudar o rumo. "Não é algo iminente, mas acho que vai acontecer", completou.

O que muda nas estratégias dos fundos

Ryan Marshall, chefe global de estratégias multiativos da BlackRock, disse que "há uma demanda absoluta" por carteiras com fontes de retorno independentes e não correlacionadas à IA.

Segundo ele, o desafio para carteiras diversificadas é a concentração em exposições ligadas à IA, incluindo o que chamou de "segundo círculo concêntrico" de fornecedores de energia, infraestrutura e cadeia de suprimentos. Nem todo gestor concorda que há uma bolha no setor.

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O movimento está levando investidores a classes de ativos privados, hedge funds e outras áreas do mercado com correlações mais baixas à IA, segundo Marshall.

O ângulo brasileiro: baixa exposição à IA

A baixa exposição do Brasil à IA virou argumento de venda entre gestores locais. O Ibovespa já vinha sendo visto como refúgio em momentos de correção das techs americanas.

"A Bolsa brasileira praticamente não tem IA na composição. Ela é formada por bancos, energia, commodities e consumo", disse Flavio Terni, cofundador da gestora Revert.

O ETF EWZ, que replica a bolsa brasileira em Nova York e tem cerca de US$ 9 bilhões em ativos, tinha 0% de exposição ao setor de tecnologia, segundo dados do Yahoo Finance.

Para Gabriel Pinheiro, da gestora GT Capital, "uma rotação global pode recolocar o Brasil no radar", embora juros, inflação, câmbio e a situação fiscal pesem tanto quanto o preço das ações na decisão dos investidores.

O dinheiro não sai do mercado, ele muda de endereço. E o endereço da economia real, hoje, tem poucos lugares mais baratos que a bolsa brasileira.