Uma pesquisa do instituto Travessia, realizada com exclusividade para o Estadão, mostra que 39,7% dos eleitores brasileiros sentem descrença, revolta ou desânimo em relação à disputa presidencial de 2026. O levantamento, feito entre 23 e 25 de setembro, ouviu 1.000 pessoas por telefone, com margem de erro de 3,1 pontos percentuais.
Apesar do desalento declarado, a disposição para votar segue alta. 78,5% dizem que vão votar "com certeza", e apenas 20,2% ainda não têm certeza.
Por que o eleitor diz estar descrente?
Entre os demais sentimentos, 42,5% dizem sentir esperança, 12,6% não sentem nada em especial e 5,1% relatam alegria. Quase metade, 46%, afirma que vai votar para impedir que outro candidato vença; 49,4% dizem escolher por propostas ou admiração.
Antes havia uma certa cordialidade entre adversários políticos. Hoje, não. É um atacando o outro.
A frase é de Paula Falcão, arquiteta de 30 anos, eleitora ouvida pela reportagem do Estadão — não um dado do levantamento do instituto.
Entre quem não pretende votar, 33,6% dizem que "não importa quem se eleja, todos são iguais". Outros 20,5% afirmam que nunca votam, e 15,8% não se interessam por política.
O tema dialoga com como a divisão política se reflete no comparecimento às urnas em outras eleições.
A sensação de desgaste já havia sido descrita por especialistas antes da votação. Em entrevista à Folha, a cientista política Wendy Hunter, da Universidade do Texas, disse que vê "os dois lados apagados" na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
O voto por rejeição que a Travessia mediu (46%) ecoa o diagnóstico de Hunter sobre o antipetismo: um grupo heterogêneo, reforçado por discurso sobre trabalho e mérito, que atravessa diferentes perfis de eleitor, segundo a professora.
O instituto Travessia Pesquisas, comandado por Renato Dorgan, não testou intenção de voto por candidato neste levantamento, feito dias antes do 1º turno das eleições 2026.
Descrença alta, abstenção baixa: a conta que não fecha
A pesquisa Travessia mostra uma aparente contradição: quase 40% relatam descrença ou revolta, mas só 20,2% dizem ainda não ter certeza do voto. O levantamento não mediu se esse desalento vai virar voto branco, nulo ou escolha mais estratégica nas urnas.
Ficha técnica
Pesquisa realizada pelo Travessia Pesquisas com exclusividade para o Estadão. Foram 1.000 entrevistas por telefone com eleitores de todo o país, entre 23 e 25 de setembro de 2026, com margem de erro de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. Os dados aqui reproduzidos constam da divulgação feita pelo instituto e pelo contratante. O número de registro na Justiça Eleitoral, exigido pelo art. 33 da Lei 9.504/1997, pode ser consultado no sistema PesqEle, do Tribunal Superior Eleitoral. A TV Sim Brasil não contratou, não financiou e não realizou este levantamento.
































