Ronaldo Caiado (PSD) votou neste domingo (4) em Nova Crixás (GO), ao lado do vice Gilberto Kassab. A campanha presidencial dele não saiu de um patamar baixo nas pesquisas, apesar da alta aprovação que diz ter como governador de Goiás.
O contraste marca toda a candidatura. Enquanto a aprovação da gestão em Goiás chega a 88%, segundo o próprio candidato, as pesquisas nacionais nunca tiraram Caiado de um patamar de 2% a 4% dos votos válidos.
A campanha de Caiado concentrou 81% dos atos em São Paulo e Goiás, iniciada oficialmente em 16 de agosto com a aposta de ser alternativa de direita à polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
A estratégia apostou na divulgação dos resultados da gestão em Goiás como modelo para o governo federal, com foco em segurança pública, saúde, educação e tecnologia. O discurso também buscou diferenciar Caiado de Lula e Flávio, sobretudo na área de segurança pública.
"Vamos livrá-los da violência, livrá-los da taxa de juros exorbitantes", disse Caiado após votar, completando que "jamais desonrei o voto" que recebeu como governador.
Por que a campanha não decolou
O tempo de TV ajuda a explicar a dificuldade. Caiado teve apenas 2 minutos e 2 segundos de propaganda eleitoral por bloco, fração do espaço dividido entre Lula e Flávio Bolsonaro, os dois nomes que polarizaram a corrida que Caiado tentou evitar.
O segundo fator é o afastamento do agronegócio, setor historicamente ligado à carreira de Caiado. A bancada do agro declarou apoio a Flávio Bolsonaro no primeiro turno, deixando de lado um eleitorado que seria natural para o candidato do PSD.
O terceiro é político: o PSD lançou Caiado em chapa pura, sem aliança nacional, diferente de Lula e Flávio Bolsonaro, que somaram legendas e tempo de TV de outros partidos.
A combinação de pouco tempo de TV, isolamento político e distância do agronegócio explica por que a aprovação que Caiado tem dentro de Goiás não se repetiu fora do estado.
O ponto em aberto
A disputa presidencial de 2026 chega ao fim do primeiro turno com Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados, segundo o PoderData. Candidaturas como a de Caiado não ultrapassaram a casa de um dígito nas pesquisas.
Fica em aberto se a aprovação de um governador em seu próprio estado ainda é um caminho viável para o Palácio do Planalto, ou se a polarização nacional torna esse caminho cada vez mais estreito.
































