Um exoplaneta só é candidato a ter vida se estiver na chamada zona habitável, nem tão perto da estrela a ponto de a água evaporar, nem tão longe a ponto de os oceanos congelarem. A explicação é do astrônomo Thiago Gonçalves, da UFRJ.
"Isso é o que chamamos de zona habitável. A ideia é que o planeta não esteja nem muito distante nem muito próximo da estrela", explica o astrônomo Thiago Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da UFRJ.
Perto demais da estrela, a água da superfície evapora. Longe demais, os oceanos congelam e o planeta fica frio demais para abrigar vida.
"Quando falamos da zona habitável, não sabemos nem se o planeta realmente tem água. Ele está apenas em uma região onde, potencialmente, poderia haver. Agora, saber se existe água de fato já é outra questão", afirma o astrônomo.
Gonçalves também é pesquisador apoiado pelo Instituto Serrapilheira.
Além da distância certa, um exoplaneta precisa de outros requisitos. Entre eles estão atmosfera estável e disponibilidade de água, energia e nutrientes como carbono, hidrogênio e oxigênio.
O tamanho também importa. Não pode ser pequeno nem grande demais. Um campo magnético ajuda a proteger o planeta do vento estelar, e a atividade geológica, como vulcanismo e tectônica, ajuda a regular o clima.
Planetas que já entraram na lista
Alguns exoplanetas já conhecidos se encaixam nesses critérios. Proxima Centauri b, o mais próximo da Terra fora do Sistema Solar, é um planeta rochoso com massa de cerca de 1,17 vez a da Terra e está na zona habitável de sua estrela.
Só que a estrela dela é muito ativa, com fortes rajadas de radiação.
O sistema TRAPPIST-1, a cerca de 40 anos-luz da Terra, tem sete planetas rochosos, e pelo menos três deles estão na zona habitável da estrela, com tamanho e temperatura parecidos aos terrestres.
Já o K2-18b, na constelação de Leão, teve metano e dióxido de carbono detectados na atmosfera. A descoberta sustenta a hipótese de que o planeta abriga um oceano sob a atmosfera, no que os cientistas chamam de "Hycean world".
O que acontece agora
O Hubble já ajuda nessa busca. Recentemente, o telescópio flagrou uma galáxia "fora de sincronia" a 55 milhões de anos-luz.
No Brasil, o CBPF participa do desenvolvimento de um sistema de inteligência artificial para o novo telescópio da Nasa, que promete um campo de visão 100 vezes maior que o do Hubble para ampliar a busca por exoplanetas.





























