Os investimentos bilionários das gigantes de tecnologia em inteligência artificial podem levar anos para dar retorno, segundo análise do Goldman Sachs divulgada nesta sexta-feira (25). O banco calcula quando as hyperscalers de computação em nuvem atingem o ponto de equilíbrio financeiro.
O estrategista Ryan Hammond, do banco, calcula que Amazon, Oracle e Microsoft precisam gerar cerca de US$ 300 bilhões em receitas de IA nos próximos anos só para cobrir os custos já investidos.
Quanto falta para as contas fecharem?
As receitas de computação em nuvem aceleraram neste ano. No 2º trimestre, o ritmo anualizado ficou US$ 70 bilhões acima da tendência registrada antes da expansão da IA. Os contratos futuros já somam mais de US$ 1,5 trilhão.
"Estimamos que os usuários de IA precisariam gastar aproximadamente US$ 1 trilhão por ano em aplicações de IA para que as hyperscalers gerassem retornos sólidos sobre o investimento", escreveu Hammond.
O ceticismo não é novo
Em junho, outro analista do Goldman Sachs, Jim Covello, já havia soado o alarme sobre a rentabilidade do setor. Segundo ele, o dinheiro segue concentrado nas fabricantes de chips, e não nas empresas que prometem usar a IA para ganhar produtividade.
"Nos afastamos mais da rentabilidade nos últimos dois anos em vez de chegar mais perto", disse Covello, que cobre o setor de semicondutores há 16 anos.
Nem todo analista do mercado concorda. O fundador do SoftBank chegou a chamar a hipótese de bolha de "blasfêmia".
O que acontece agora
Estimativas de mercado indicam que os gastos de capital das hyperscalers devem superar o fluxo de caixa operacional em US$ 150 bilhões em 2027, antes de o fluxo de caixa livre virar positivo só em 2028.
O físico Yann LeCun, ex-cientista-chefe de IA da Meta, já havia alertado para os riscos de bolha no setor. No Brasil, o apetite por data centers de IA também cresce, e esbarra na oferta de energia.





























