Falar durante o sono, batizado de sonilóquio pela medicina, é uma parassonia que atinge mais de dois terços das pessoas em algum momento da vida, segundo o professor de psicologia Michael Nadorff, da Universidade Estadual do Mississippi, que estuda o sono há quase duas décadas.

Segundo Nadorff, o fenômeno acontece quando as partes do cérebro responsáveis pela linguagem e pela fala ficam ativas, enquanto as áreas que normalmente impedem a boca de falar continuam adormecidas.

Falar dormindo pode ocorrer em qualquer fase do sono. Mas é na fase REM que a fala costuma refletir o próprio sonho. O que a pessoa diz em voz alta corresponde ao conteúdo do sonho em cerca de 80% das vezes.

É bem mais comum na infância do que na vida adulta, mas pode persistir depois da puberdade.

Falar durante o sono, assim como outras parassonias, é mais comum quando a pessoa está muito cansada, segundo o professor. Quem sofre de insônia crônica também pode se beneficiar de abordagens que priorizam mudanças no estilo de vida.

Quando falar dormindo vira motivo de preocupação

A situação exige atenção quando aparece ao lado de outros sinais, como sonambulismo, terrores noturnos, agitação intensa ou episódios frequentes que atrapalham a rotina. Nesses casos, o psicólogo do sono é o profissional indicado para investigar e tratar.

O sono não é uniforme ao longo da noite. Cerca de um quarto dele é sono REM, a fase dos sonhos mais vívidos; os outros 75% a 80% são sono não REM, quando o corpo desacelera e se regenera.

As pessoas passam por ciclos dessas fases a cada 90 minutos, aproximadamente, ao longo da noite. O sono não REM domina as primeiras horas; o REM ganha espaço perto do amanhecer.

O sono cumpre funções que vão muito além do descanso. É quando o cérebro consolida memórias de longo prazo, quando as crianças crescem e um dos momentos em que o sistema imunológico funciona com mais força.

Fatores emocionais também interferem na qualidade do sono. A ecoansiedade já afeta o sono de 33% dos brasileiros, segundo pesquisa recente.

Humanos não são os únicos que sonham: cães e outros mamíferos também parecem passar por fases de sono semelhantes, segundo pesquisadores citados por Nadorff.

Para quem busca melhorar a qualidade do sono no dia a dia, celular, chá e melatonina têm efeitos bem diferentes sobre o organismo.