A Coreia do Norte lançou neste sábado (3) um míssil balístico que percorreu mais de 700 quilômetros antes de cair no mar. O lançamento ocorreu um dia depois de Kim Yo-jong, irmã de Kim Jong-un, rejeitar pedido de desculpas por minas na fronteira.

O Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul confirmou o lançamento e disse que o míssil partiu da costa leste do país. Segundo o Ministério da Defesa do Japão, o disparo ocorreu às 6h44 no horário local, e o objeto caiu no mar dez minutos depois.

A Guarda Costeira do Japão classificou o artefato como um possível míssil balístico e pediu cautela a embarcações na região. A Coreia do Sul reforçou o monitoramento diante da possibilidade de novos testes e vai compartilhar dados de inteligência com Estados Unidos e Japão.

O governo sul-coreano convocou reunião de emergência horas depois do lançamento.

O disparo segue um padrão de deterioração nas relações entre as duas Coreias. A Coreia do Sul afirmou nesta semana que minas norte-coreanas provocaram uma explosão que deixou dois soldados sul-coreanos gravemente feridos na fronteira entre os dois países.

Kim Yo-jong rejeitou, um dia antes do novo teste, a exigência de Seul por um pedido formal de desculpas.

Nos últimos anos, o país abandonou a reunificação como objetivo nacional e passou a tratar a Coreia do Sul como seu "principal inimigo".

Escalada de testes militares

É o terceiro míssil disparado pela Coreia do Norte em menos de duas semanas. Em 20 de setembro, dois mísseis lançados da região de Wonsan percorreram cerca de 450 km e 600 km rumo ao Mar do Japão.

Na ocasião, Seul classificou a ação como um "ato grave" que viola resoluções do Conselho de Segurança da ONU. O teste de setembro seguiu exercícios militares conjuntos de Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão, que Pyongyang condenou.

A relação entre Seul e Washington também tem sido testada em outras frentes. O governo sul-coreano recusou recentemente um pedido dos Estados Unidos para enviar tropas ao Irã, episódio que mostra os limites da aliança militar bilateral.

Os números ajudam a dimensionar o ritmo dos testes. Cada lançamento recente superou o alcance do anterior, e o país não retoma conversas de desnuclearização desde a cúpula fracassada entre Trump e Kim Jong-un, em 2019. A saúde de Kim Jong-un é acompanhada pelos vizinhos.

O que acontece agora

A Coreia do Sul mantém o monitoramento reforçado e vai repassar dados de inteligência a Estados Unidos e Japão nos próximos dias, à espera de novos lançamentos. Nenhum dos três países anunciou sanções ou resposta militar adicional até a publicação desta matéria.