A França vai enviar soldados, radares e sistemas de defesa antiaérea à Arábia Saudita para proteger a infraestrutura de petróleo da cidade de Yanbu, alvo de ataques do grupo houthi. O presidente Emmanuel Macron anunciou o acordo nesta quinta-feira (24).
Não para participar de conflitos, mas para proteger esse local.
Foi assim que Macron descreveu a missão à emissora France 2, sem descartar apoio militar adicional caso a situação piore.
Por que os EUA recusaram ajudar?
Dias antes do anúncio francês, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, havia pedido pessoalmente a intervenção militar dos Estados Unidos contra os houthis, segundo fonte da CNN. O pedido foi recusado.
"Os houthis nos ligaram e não querem lutar conosco. É apenas um país com o qual eles não estão muito satisfeitos", disse o presidente americano, Donald Trump, sobre a recusa.
A França decidiu preencher, sozinha, o espaço que os Estados Unidos deixaram na proteção ao maior exportador de petróleo do mundo.
O que está em jogo no mar Vermelho?
Os houthis, grupo rebelde iemenita apoiado pelo Irã, tomaram nas últimas semanas o porto estratégico de Mokha e passaram a controlar o Estreito de Bab el-Mandeb, via de acesso ao mar Vermelho por onde a Arábia Saudita escoa parte de suas exportações.
A guerra civil do Iêmen, que opõe os houthis ao governo reconhecido internacionalmente, dura mais de uma década. Uma trégua de 2022 se rompeu neste ano, e o país voltou à guerra em julho.
Nesta sexta (25), o chefe do Conselho Presidencial iemenita, Rashad al Alimi, pediu "mobilização geral" contra os houthis. A coalizão saudita afirma ter derrubado 6 mísseis balísticos mirados em cidades sauditas só na quinta-feira.
O bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, principal rota saudita, já dura cerca de 7 meses, desde que os EUA e Israel entraram em guerra contra o Irã.
É a maior disrupção do mercado global de petróleo desde os embargos de 1973, segundo analistas do setor.
O petróleo Brent ultrapassou US$ 100 o barril em março e não voltou a cair abaixo desse patamar. Fechou a US$ 106,60 nesta quinta, e o JPMorgan já alertou para o risco de o preço disparar acima de US$ 150 se a crise piorar.
O aperto já pressiona o preço do diesel no Brasil. A Petrobras vende o combustível com defasagem recorde em relação ao preço de importação.
É o mesmo movimento que fez o petróleo disparar depois de Trump e Irã trocarem ameaças na ONU, dias antes do anúncio de Macron.
Pico passageiro ou mudança duradoura?
É a pergunta que falta responder. Analistas do setor já classificam a combinação dos bloqueios de Ormuz e do mar Vermelho como uma mudança estrutural nas rotas globais de petróleo, não um pico passageiro de preço.
Se estiverem certos, o efeito sobre o preço dos combustíveis, inclusive no Brasil, tende a durar mais do que uma crise pontual.





























