O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, pediu à Assembleia Geral da ONU, nesta quinta-feira (24), um mecanismo de resiliência climática para o Himalaia. Ele cobrou dos países ricos a promessa de triplicar o financiamento climático até 2035, firmada na COP30, em Belém.

Segundo o discurso de Shah na ONU, as enchentes e os deslizamentos que atingiram o Nepal em 26 de agosto já somam 1.400 mortos e mais de 6.000 desaparecidos, aponta o jornal O Povo.

O país emite menos de 0,1% dos gases-estufa do planeta. O desastre começou quando 2 km² de parede rochosa e gelo glacial colapsaram nas montanhas.

Equipes de resgate do Nepal socorrem trabalhador após deslizamento nas montanhas
Equipes de resgate socorrem sobreviventes após deslizamentos que atingiram o Nepal em agosto de 2026 Foto: Agência Brasil
Não criamos esta crise. No entanto, estamos pagando um preço colossal por ela.

Shah discursou dias depois de o país elevar o número de mortos e pedir ajuda técnica internacional, como a TV Sim Brasil mostrou na época.

A reconstrução, segundo O Povo, deve custar US$ 4,78 bilhões e ainda exige realocar milhares de desabrigados, além de reavaliar hidrelétricas e estradas em terreno montanhoso frágil.

Moradores atingidos pela tragédia, segundo relatos ouvidos pelo O Povo, dizem que só sabem que precisam de ajuda, mesmo sem entender exatamente o que é mudança climática.

Qual é a proposta do Nepal?

A proposta do Nepal é um Mecanismo de Resiliência Climática do Himalaia, reunindo Nepal, China e Índia para compartilhar dados de satélite, monitorar lagos glaciais e manter um sistema conjunto de alerta. A ideia nasce do mesmo tipo de colapso que atingiu os países vizinhos.

O que o Brasil tem a ver com isso?

O Brasil sediou a COP30, em Belém, encerrada em novembro de 2025 com o Pacote de Belém, aprovado por 195 países. O texto prevê triplicar o financiamento climático para adaptação até 2035 e cobra mais recursos dos países ricos para as nações vulneráveis.

O documento da COP30 não chegou a divulgar o volume real de financiamento de adaptação hoje, a base de comparação da meta.

O pedido do Nepal testa se essa promessa, fechada em solo brasileiro, sai do papel antes do próximo desastre. É esse o fio que liga o discurso de Shah à conferência de Belém.

O debate geral da Assembleia Geral, que o Brasil abriu nesta semana, segue até 28 de setembro. Casos como o do Nepal se somam ao alerta sobre o derretimento acelerado de geleiras monitorado por cientistas em outras regiões do planeta.

O que acontece agora

A Assembleia Geral segue com discursos de chefes de Estado até o dia 28.

O Nepal ainda não tem prazo definido para apresentar o Mecanismo de Resiliência Climática do Himalaia à China e à Índia, e o cronograma de repasses do pacote de adaptação da COP30 também não foi divulgado.