A França vai enviar soldados, radares e sistemas de defesa para proteger o porto petrolífero saudita de Yanbu, danificado por ataque houthi, anunciou o presidente Emmanuel Macron nesta quinta-feira (24). A instalação processa mais de 5 milhões de barris de petróleo por dia.
Vamos enviar recursos militares, ou seja, soldados, radares e sistemas de defesa para proteger este local. Não para nos envolvermos em qualquer conflito, mas para proteger este local.
Macron falou em entrevista às emissoras francesas TF1 e France 2.
A Arábia Saudita chegou a suspender carregamentos no porto de Yanbu depois de fechar o oleoduto Leste-Oeste, rota alternativa ao Estreito de Ormuz. A instalação atacada é a mesma que a França agora promete proteger com tropas próprias.
A França já havia reforçado sua presença militar na região. Enviou caças Rafale para os Emirados Árabes Unidos e deslocou o porta-aviões nuclear Charles de Gaulle para o Mediterrâneo.
Nos últimos dias, Macron recebeu o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, o premiê do Iraque e os líderes da Jordânia e do Líbano para discutir rotas alternativas de energia.
A escalada no Mar Vermelho acontece na mesma semana em que Trump e o Irã trocaram ameaças na ONU e fizeram o petróleo disparar 3% em um só pregão.
Antes do ataque a Yanbu, a China já pedia, em privado, que o Irã contivesse os houthis, que avançam sobre as últimas rotas sauditas livres no Mar Vermelho.
O que isso pressiona no Brasil
A tensão em Yanbu chega ao bolso do brasileiro pelo preço do combustível. Nesta quinta (24), mesmo dia do anúncio de Macron, o Brent fechou em alta de 3%, a US$ 106,24 o barril, referência que baliza o diesel e a gasolina vendidos aqui.
A alta reforça uma pressão que a TV Sim já mostrou nesta quinta. A defasagem do diesel vendido pela Petrobras chegou a R$ 3,89 por litro abaixo da paridade de importação, patamar recorde segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).
Sérgio Araujo preside a Abicom, entidade que representa os importadores privados de combustível no país.
A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) monitora o abastecimento de diesel importado para o plantio da safra de verão, que começa em outubro.
A Petrobras mantém os preços estáveis na bomba, apoiada em programa de subsídio do governo federal, criado justamente para blindar o consumidor da guerra no Oriente Médio.
Um novo salto no petróleo pode encarecer ainda mais o diesel importado justo na entressafra, quando o Brasil mais depende dele.
O que acontece agora
A Arábia Saudita já avisou clientes europeus que vai cancelar parte dos carregamentos previstos para o fim de setembro, enquanto o oleoduto Leste-Oeste segue fechado. Macron não detalhou o cronograma de chegada das tropas francesas a Yanbu.
No Brasil, Abicom e Farsul acompanham se a Petrobras sustenta o subsídio ao diesel até o início do plantio de outubro.





























