O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (22) que a credibilidade da Organização das Nações Unidas (ONU) "nunca esteve tão baixa", na abertura da 81ª Assembleia Geral, em Nova York. Foi a 11ª vez que discursou na tribuna desde 2003.
"A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas, a de livrar a humanidade do flagelo da guerra", disse Lula, ao abrir o debate geral. Segundo o presidente, a organização vive o momento mais crítico desde sua primeira participação na tribuna.
A capacidade da ONU de proteger países e populações vulneráveis também diminuiu, disse Lula. Ele atribuiu a crise ao que chamou de "imobilismo" do Conselho de Segurança, formado por cinco países com poder de veto: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.
Para o presidente, esse mecanismo permite que as grandes potências travem decisões mesmo diante de guerras em curso em diferentes regiões do mundo.
"Esse vício deu origem à Carta da ONU, que conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez. Esse pecado original soma-se agora a uma profunda crise de liderança", declarou Lula.
O presidente lembrou que o Brasil já alertava para os riscos do veto desde 1946, na primeira sessão da Assembleia Geral da ONU. Reconheceu "a realidade do poder", mas disse que as concessões à lei do mais forte já ultrapassaram os limites aceitáveis.
Lula defendeu que os líderes dos países do Conselho de Segurança se reúnam para discutir o cenário internacional. "No mundo interdependente, liderar é conciliar interesses da pátria com os da humanidade", afirmou.
A crítica ao Conselho de Segurança dá sequência à agenda que Lula levou à Assembleia Geral, articulada nos dias anteriores ao discurso desta terça. Antes da viagem, o presidente já havia lançado uma frente por reforma da ONU, hoje sem data para avançar.
O pano de fundo institucional também pesa: a sucessão de António Guterres no comando da ONU segue indefinida, com o mandato dele perto do fim.
Esta foi a 11ª participação de Lula na abertura da Assembleia Geral como presidente da República. Ele discursou pela primeira vez em 2003 e voltou à tribuna em 2004, 2006, 2007, 2008, 2009, 2023, 2024 e 2025.
Em 2005, participou da reunião de alto nível da ONU, mas não abriu o debate geral, e em 2010 não viajou a Nova York — o então chanceler Celso Amorim discursou em seu lugar.
A viagem deste ano foi curta: Lula chegou a Nova York no domingo (20) e tinha retorno previsto para esta terça-feira, logo após o discurso.







































