O Pix respondeu por mais de 98% do volume de transações financeiras de empresas analisado pela DominiPay em agosto, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira (21). As stablecoins USDT e USDC somaram 1,85% do volume, enquanto o Bitcoin ficou abaixo de 0,01%.

O dado mostra que o sistema de pagamentos do Banco Central continua dominante nas movimentações em reais. O avanço das moedas digitais aparece em usos mais específicos, principalmente quando a empresa precisa sacar ou movimentar valores fora do fluxo comum de pagamento instantâneo.

Segundo a DominiPay, o levantamento usa dados agregados e anonimizados das transações processadas pela plataforma entre janeiro e agosto de 2026. Em agosto, o Pix passou de 98% do volume empresarial analisado, contra menos de 2% para outras formas de transferência.

O contraste está no recorte dos saques, onde as moedas digitais aparecem muito mais próximas do real. Em 13.337 saques analisados, foram 4.080 operações em reais, 4.012 em USDT, 3.667 em Bitcoin e 618 em USDC.

Entre as stablecoins, o USDT concentrou aproximadamente 99% do volume movimentado na plataforma em agosto. O USDC ficou com menos de 1%, de acordo com o levantamento citado pela empresa.

"Os dados mostram uma convivência entre diferentes infraestruturas, em vez de uma substituição do Pix por ativos digitais", afirmou Leonardo Maximiliano, CEO da DominiPay, segundo a divulgação do estudo.

O que o estudo mostra sobre stablecoins?

O estudo mostra sobre stablecoins que elas ainda têm participação pequena no volume total das empresas, mas aparecem como alternativa em operações específicas. Na base da DominiPay, USDT e USDC somaram 1,85% do volume de agosto.

Esse uso conversa com um mercado que já testa stablecoins em pagamentos corporativos, mas a comparação com o Pix impõe escala.

O tema também já entrou no debate sobre gratuidade do Pix. No Brasil, a transferência instantânea regulada pelo Banco Central segue como padrão para caixa, fornecedores e recebíveis em reais.

O que muda para empresas?

O que muda para empresas é menos uma troca imediata de sistema e mais uma separação de funções. O Pix concentra o pagamento diário em reais, enquanto stablecoins entram em nichos como saque, liquidação alternativa e operação digital.

O Banco Central também vem ajustando as regras do Pix. Segundo a Agência Brasil, o regulador autorizou o Pix Automático em contas-salário a partir de julho de 2027 e regulamentou a cobrança híbrida com boleto e QR Code para fevereiro de 2027.

Outra atualização do BC proíbe publicidade, ofertas comerciais e links externos em comprovantes do Pix a partir de 1º de março de 2027.

A autoridade monetária afirma que a medida busca reduzir o risco de golpes e manter o comprovante restrito ao registro da transação.

O que acontece agora

O que acontece agora é a incorporação gradual das novas regras do Pix pelas instituições financeiras. A cobrança híbrida começa em fevereiro de 2027, a proibição de publicidade nos comprovantes vale em março e o Pix Automático em contas-salário fica para julho.

Para empresas, o dado da DominiPay ajuda a dimensionar o tamanho da disputa. As moedas digitais crescem em usos pontuais, mas ainda não aparecem perto de desalojar o Pix no volume total.