O dólar operava em alta ante o real nesta segunda-feira (28), após um ataque no Estreito de Ormuz e a rejeição do presidente Donald Trump à proposta de paz do Irã. Por volta das 9h20, a moeda subia 0,38%, a R$ 5,2005 na venda.

Segundo o Valor Econômico, o dólar futuro para outubro avançava 0,19%, a R$ 5,2035, e o euro subia 0,20%, a R$ 5,9158, na mesma hora.

O que houve no Oriente Médio

A agência iraniana Fars News noticiou um míssil de cruzeiro disparado contra um navio no Estreito de Ormuz, elevando o risco geopolítico logo na abertura da semana. O índice DXY, que mede a força do dólar ante seis moedas fortes, subia 0,12%, a 101,10 pontos.

Ante o peso mexicano, a moeda americana avançava 0,14%; ante o rand sul-africano, 0,31%, sinal de que o movimento vinha de fora, não só do Brasil.

Por que os juros americanos pesam no real

Mercados futuros passaram a estimar uma probabilidade de cerca de 70% de nova alta de juros pelo Federal Reserve (Fed) na reunião do fim de outubro, ante 56% na semana anterior. Essa reprecificação tende a reduzir a atratividade do carry trade brasileiro.

O Fed já vinha sinalizando mais juros nos EUA e reduzindo a vantagem da Selic antes deste novo movimento, o que reforça a pressão sobre o real.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos é o que hoje sustenta o apetite por aplicações em reais; quando ele encolhe, o dólar tende a subir por aqui mesmo sem nenhum fato novo interno.

O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central no mesmo dia, projeta dólar a R$ 5,20 para o fim do ano, patamar já alcançado nesta segunda. O documento também elevou a projeção de inflação pela segunda semana seguida, como já mostrou a TV Sim Brasil.

A tensão no Golfo Pérsico também tem efeito direto no petróleo, que já havia registrado o maior fluxo em seis meses pelo Estreito de Ormuz antes deste novo episódio.

O ponto em aberto

Fed e Irã são fatores externos que o Brasil não controla, e ambos empurram o dólar na mesma direção nesta segunda. A pergunta que fica é se o diferencial de juros entre Brasil e EUA resiste caso o Fed suba juros de novo em outubro.