O Brasil atingiu nesta terça-feira (29) a cota anual de exportação de carne bovina para a China, confirmou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). As remessas somaram 100% do limite de 1,106 milhão de toneladas fixado para as compras brasileiras em 2026.

As vendas a partir de agora pagam sobretaxa de 55%. A informação foi comunicada pela Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC), órgão que fiscaliza as importações do país.

Segundo o Mapa, o Ministério do Comércio chinês (Mofcom) deve oficializar a medida nos próximos dias.

Quanto custa exportar carne acima da cota?

Fora do limite anual, a tarifa total sobre a carne bovina brasileira chega a 67% — os 12% já cobrados dentro da cota somados à sobretaxa de 55%. A cobrança extra passa a valer a partir de 2 de outubro.

Na avaliação do mercado, esse patamar inviabiliza novos negócios até o fim do ano. A cota faz parte de uma salvaguarda que a China aplica às importações de carne bovina, com limite específico por país fornecedor.

O mecanismo entrou em vigor em janeiro deste ano e deve durar até 2028. Para 2027, a cota brasileira sobe para 1,128 milhão de toneladas, liberadas a partir de janeiro.

Desde julho, diante da perspectiva de que o limite fosse atingido entre agosto e setembro, frigoríficos brasileiros já vinham reduzindo o ritmo de embarques para não cair na sobretaxa.

Segundo a Abiec, entidade que representa os exportadores de carne, os embarques ao mercado chinês caíram cerca de 90% nesse período. Julho, agosto e setembro foram marcados pela queda de margem e pelo recuo no fluxo de vendas.

A consultoria Safras & Mercado avalia que a tarifa adicional tende a restringir ainda mais a margem para novos negócios com a China até a virada do limite anual.

O que acontece agora

Segundo técnicos do Mapa, o governo brasileiro vai intensificar as negociações com Pequim para tentar obter uma cota adicional ainda em 2026. Enquanto isso não sai, os frigoríficos ficam sem margem para negociar novos contratos com o mercado chinês.

A expectativa do setor se volta para a abertura da cota de 2027, em janeiro.

O Brasil é um dos principais fornecedores de carne bovina à China, que já havia atingido 90% do limite anual em agosto, e a previsão do setor era de esgotar o novo teto de 2027 só em abril.

Depois de fechada a cota deste ano, a exportação de carne à China já havia despencado 88% em episódio anterior de fim de cota.