A Guarda Revolucionária do Irã publicou uma carta de 26 páginas pedindo aos eleitores dos Estados Unidos que votem para destituir aliados de Donald Trump no Congresso. O apelo veio no mesmo dia em que as últimas tropas americanas deixaram suas bases no Iraque.
A retirada, acordada em 2024 pelo então presidente Joe Biden, marca o fim de mais de 20 anos de presença militar dos EUA no país, e é celebrada por Teerã como uma vitória.
A saída ocorre 23 anos depois da queda de Saddam Hussein, e 12 anos depois de as tropas terem retornado ao país para ajudar a derrotar o Estado Islâmico, entre 2014 e 2017.
O que a carta do Irã diz?
A carta, divulgada na terça-feira (29), pede que os americanos usem seu poder político para punir os atuais líderes e rejeitar o apoio dos EUA a Israel e à intervenção militar no exterior.
Retirem do poder os políticos malignos, enganadores e violentos que são responsáveis pela situação atual dos Estados Unidos. Certifiquem-se de que seus políticos compreendam que o mundo mudou.
Analistas políticos dos Estados Unidos avaliam que a mensagem toca em temas que já prejudicam Trump e o Partido Republicano antes das eleições legislativas de 3 de novembro.
Por que a guerra pesa contra Trump nos EUA?
Uma pesquisa Reuters/Ipsos publicada em 21 de setembro mostrou que apenas 17% dos americanos aprovam como Trump lida com o custo de vida, o tema que mais deve definir o voto em novembro. Só 34% aprovam os ataques dos EUA ao Irã.
A guerra com o Irã, que Trump iniciou ao lado de Israel, ajudou a elevar os preços globais de combustível. Isso já fez republicanos recuarem do apoio ao conflito por causa da gasolina mais cara nos EUA.
A guerra é só um dos motivos de desgaste: parlamentares republicanos importantes já começaram a se afastar do presidente antes das eleições de novembro.
O efeito chegou até o Brasil: a alta do petróleo provocada pelo conflito levou o governo brasileiro a liberar R$ 3,15 bilhões em subsídio para segurar o preço da gasolina e do diesel.
A pergunta que a retirada não responde
A saída tenta fechar um capítulo que já dura mais de duas décadas e custou cerca de 4.500 vidas americanas, mais que o dobro da guerra paralela no Afeganistão. O Pentágono afirma que vai manter treinamento e apoio de inteligência às forças iraquianas.
Mas a pergunta que motivou o retorno das tropas em 2014, depois de uma primeira saída em 2011, segue sem resposta garantida. O Iraque vai conter sozinho o Estado Islâmico e as milícias ligadas ao Irã, ou os Estados Unidos vão precisar voltar outra vez?






























