Os Estados Unidos propuseram à China um mecanismo de notificação para incidentes de inteligência artificial que atinjam a segurança nacional. O anúncio foi feito pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, após reunião em Nova York no domingo (20), segundo as fontes.

A ideia será levada à cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping nesta semana.

Segundo a CNN Brasil e o InfoMoney, que reproduziram a Reuters, Bessent discutiu o tema com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng. O plano americano prevê um diálogo EUA-China sobre IA voltado a objetivos e ameaças comuns.

Esse canal serviria para avisos quando um episódio tecnológico tiver escala de segurança nacional.

"Acreditamos que, assim como em qualquer atividade transfronteiriça, passar da opacidade para uma maior transparência entre a primeira e a segunda maior potência mundial em IA é muito importante", disse Bessent ao fim das conversas.

A resposta de Pequim foi cautelosa. A agência estatal Xinhua reconheceu que os dois lados falaram sobre IA e descreveu as reuniões como trocas "francas, aprofundadas e construtivas" sobre temas econômicos e comerciais, mas não confirmou o desenho do mecanismo proposto pelos EUA.

A Associated Press informou que o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, também anunciou a operacionalização de um novo "Board of Trade" bilateral. Ele disse que os dois países ainda discutem quais itens não sensíveis poderiam ter tratamento tarifário diferente.

A lista potencial inclui bens de consumo, produtos agrícolas, energia e dispositivos médicos.

O que isso muda para o Brasil?

Para o Brasil, a proposta não altera regra de IA agora, mas mostra que segurança tecnológica entrou no mesmo pacote de comércio, tarifas e infraestrutura crítica. Quando EUA e China definem padrões de crise em IA, empresas e governos brasileiros acabam afetados pela régua global.

O país já acompanha a disputa por outro caminho. A TV Sim mostrou que a visita de Xi aos EUA interessa ao Brasil por causa de comércio, dólar e cadeias industriais, enquanto a reação das bolsas asiáticas antecipou apostas sobre a cúpula.

Quais riscos entram na conversa?

Os riscos citados por especialistas à AP incluem ataques cibernéticos com IA, uso biológico indevido, falhas graves de modelos, perda de controle humano e ameaças a infraestrutura crítica. Energia, telecomunicações, transporte e finanças aparecem como áreas sensíveis nos documentos chineses de governança.

Sun Chenghao, pesquisador da Universidade Tsinghua, disse à AP que ainda há espaço para cooperação quando o assunto é risco compartilhado. Scott Singer, da Carnegie Endowment for International Peace, avaliou que a conversa sobre IA fica presa ao vaivém entre Washington e Pequim.

O pano de fundo é competitivo. A AP registra que Trump defende manter a vantagem americana em IA, enquanto Pequim acusa os EUA de buscar monopólio tecnológico por meio de controles de exportação de chips avançados.

A disputa envolve modelos chineses como DeepSeek e Moonshot, que avançaram apesar das restrições.

O que acontece agora

Trump e Xi devem discutir o tema na cúpula desta semana, ao lado da trégua comercial e de tarifas. Se o mecanismo avançar, o primeiro teste será transformar uma proposta de aviso sobre crise em protocolo aceito pelos dois governos.

Esse protocolo teria de funcionar sem abrir tecnologia sensível de nenhum lado.

A agenda também se conecta ao debate global sobre segurança da inteligência artificial. A TV Sim mostrou que Sam Altman vai à ONU discutir riscos da IA, sinal de que governos e empresas tentam levar a regulação para fóruns multilaterais.