A Petrobras confirmou nesta semana a descoberta de indícios de petróleo no poço Morpho, na costa do Amapá, a 175 km de Oiapoque. O anúncio foi feito na sexta-feira (14). Segundo a presidente da estatal, Magda Chambriard, a produção pode começar em até sete anos, mas ainda depende de estudos de viabilidade.

O poço fica no bloco FZA-M-59, na bacia da Foz do Amazonas, margem equatorial brasileira, em lâmina d'água de 2.886 metros. A Petrobras detém 100% da área, adquirida na 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013.

"Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje", disse Magda Chambriard, presidente da Petrobras.

"Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país", completou.

O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) também se manifestou sobre o resultado.

"O IBP vê como extremamente importante a confirmação da presença de hidrocarbonetos no poço exploratório, na bacia da Foz do Amazonas", informou a entidade, em nota.

Quanto tempo até o Amapá produzir petróleo

Em entrevistas à Band News TV e à GloboNews no sábado (15), Chambriard afirmou que a produção pode começar entre seis e sete anos.

Ainda são necessários estudos para determinar a quantidade e a qualidade do óleo, e se a exploração é comercialmente viável.

Ela citou a importância da região para manter o Brasil entre o 6º e o 7º maiores produtores de petróleo do mundo em 2034.

O outro lado: pesca e licenciamento ambiental

A descoberta reacende a crítica de organizações ambientais à exploração de petróleo na margem equatorial amazônica.

"Este bloco é a porta de entrada para o resto da Amazônia para perfuração", afirma Nicole Oliveira, diretora executiva do Instituto Internacional Arayara.

Segundo Oliveira, mais de 120 mil famílias de comunidades pesqueiras vivem na costa amazônica e dependem da pesca perto do recife amazônico.

Nenhuma delas foi consultada pela Petrobras, afirma a organização, o que consideram exigência da Constituição e da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

"No caso de um acidente, os danos ao Grande Sistema de Recifes da Amazônia, aos ecossistemas marinhos e costeiros e aos meios de subsistência locais, como a pesca, seriam irreparáveis", diz Daniela Jerez, consultora jurídica do Greenpeace Brasil.

A licença do Ibama para perfurar o primeiro poço na margem equatorial foi concedida em outubro de 2025, após anos de análise.

O que ainda falta para o Amapá virar produtor

A descoberta confirma a presença de petróleo, mas não define se a exploração será viável.

Os estudos de quantidade e qualidade do óleo, ainda em curso, são o que vai decidir se o poço Morpho chega à fase de produção dentro do prazo de sete anos citado pela Petrobras.