Os 13 candidatos à Presidência com registro no TSE declararam, juntos, R$ 7,96 bilhões em patrimônio. O valor é distorcido por um único registro: os R$ 7,42 bilhões de Pablo Marçal (PRTB), que ele mesmo diz estarem errados. Sem essa declaração, a soma dos outros 12 cai para R$ 539,6 milhões.
Da declaração de Marçal, R$ 6,79 bilhões estão registrados numa única linha, como aplicação de renda fixa. O valor é 43,77 vezes maior do que o patrimônio que ele próprio declarou em 2024, de R$ 169,5 milhões.
Marçal afirma que houve um erro de digitação e já pediu correção ao TSE. Não informou, até agora, qual seria o valor real do seu patrimônio.
Ele registrou a candidatura pelo PRTB no último sábado (15), por meio de uma liminar da Justiça Eleitoral que autorizou filiação partidária fora do prazo normal, vencido em abril.
Marçal é inelegível até 2032, por decisão ligada à campanha dele para a prefeitura de São Paulo em 2024.
Quem mais declarou, e quem quase não declarou nada
Fora Marçal, o candidato com maior patrimônio é Augusto Cury (Avante), com R$ 242 milhões. Depois vêm Romeu Zema (Novo), com R$ 178 milhões, e Wilson Grassi (Democracia Cristã), com R$ 50 milhões.
Flávio Bolsonaro (PL) declarou R$ 8,2 milhões. Lula (PT) declarou R$ 4,8 milhões, a maior parte concentrada em previdência privada.
Na outra ponta, Clariana Barão (DC) declarou R$ 1,8 milhão, Renan Santos (Missão) declarou R$ 795 mil, Edmilson Costa (PCB) declarou R$ 454 mil e Samara Martins (UP) declarou R$ 33 mil. Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO) não declararam bens.
O que a declaração de bens realmente mostra
A declaração ao TSE não é uma avaliação do valor de mercado atual dos bens. É uma relação simplificada, com o valor que cada bem tem na declaração à Receita Federal, que costuma ficar defasado em relação ao preço real de imóveis e outros ativos.
O que o caso Marçal expõe
A Justiça Eleitoral publica a declaração do jeito que o candidato envia, sem checar a consistência dos valores antes da divulgação.
A correção de um erro de bilhões de reais depende da iniciativa do próprio candidato. A pergunta que fica é se esse modelo de autodeclaração resiste bem ao próximo caso parecido.





























