Trinta candidatos registraram "Bolsonaro" no nome de urna para as eleições de 2026, e sete registraram referências a "Lula", segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira (17). Ainda conforme o levantamento, a maioria não tem nenhum parentesco com o ex-presidente Jair Bolsonaro ou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Dos 30 candidatos com "Bolsonaro" no nome de urna, 22 seriam filiados ao PL, partido do ex-presidente, aponta o levantamento. Entre os 7 com referência a "Lula", 4 seriam do PT. As informações de filiação partidária e de nome de urna reproduzidas nesta reportagem são as constantes do levantamento e ainda dependem de confirmação no processamento dos registros pela Justiça Eleitoral.

A regra eleitoral permite registrar prenome, sobrenome, apelido ou forma pela qual o candidato é conhecido.

A Justiça Eleitoral, porém, pode barrar o nome quando entender que ele cria dúvida sobre a identidade do candidato ou pode confundir o eleitor. Os registros ainda passam por análise, e a lista final pode mudar.

Quem são os "Bolsonaros" e "Lulas" da vez

O único "Jair Bolsonaro" de fato é o filho do ex-presidente, Jair Renan Valle Bolsonaro, filiado ao PL, que, de acordo com o levantamento, mudou o domicílio eleitoral para concorrer ao Senado.

Outros apostam no bom humor. Vilmar Rigo, apontado pelo levantamento como candidato pelo Novo no Mato Grosso, registrou-se como "Bolsonaro da Shopee", citando semelhança física com o ex-presidente. Vanessa da Silva Oliveira, registrada no Rio de Janeiro, virou "Negona do Bolsonaro".

Do lado do presidente, Célio José de Moraes se apresenta como "Dr. Célio, Lula do Bem". Há ainda "Lula Tio do Biscoito", em Minas Gerais, e "Samanda de Lula", no Rio Grande do Norte.

A legislação eleitoral veda nome de urna que gere confusão de identidade ou seja considerado ridículo ou irreverente.

O capitão Mosart Aragão, auxiliar histórico de Bolsonaro e ex-assessor da Presidência, preferiu retirar o sobrenome da própria candidatura a deputado estadual pelo risco jurídico, segundo o levantamento.

"Todo mundo quer pegar um pedaço da popularidade do Bolsonaro. Eu, que tenho relação com ele a vida inteira, abri mão de usar para não correr risco", disse Aragão.

O efeito carona encolheu desde 2022

Em 2022, quando os dois disputavam a Presidência entre si, o nome "Bolsonaro" apareceu em 45 registros de urna, e "Lula" em 15, conforme o mesmo levantamento.

Em 2026, com nenhum dos dois na disputa presidencial — Jair Bolsonaro foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral em julgamento de ação de investigação judicial eleitoral em 2023 —, os números caíram para 30 e 7, queda de 33% e 53%.

O que muda para quem vai votar

O nome de urna aparece na tela de confirmação do voto, ao lado do número e da foto do candidato.

Menos nomes parecidos na disputa significa, pela própria lógica da regra do TSE contra a confusão de identidade, menos chance de o eleitor apertar o número errado por associação.