A campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta desalinhamento e lentidão para reagir a crises, segundo análise da jornalista Jussara Soares, da CNN Brasil, a menos de três semanas do 1º turno das eleições 2026.
Segundo Jussara, há um desencontro entre as frentes da campanha. O núcleo ligado à Secom e os marqueteiros, chamados por ela de "muito enclausurados", têm dificuldade de coordenação.
"A gente não sabe o que vai fazer, não sabe qual é o próximo passo", relatou uma fonte da campanha ouvida pela analista.
Jussara também apontou lentidão de Lula diante de crises políticas. "Tem uma sensação dessa lentidão do presidente Lula em reagir a todas essas crises", disse a analista, citando a crise no STF.
Segundo ela, o entendimento predominante na semana anterior era distanciar Lula do ministro Alexandre de Moraes, para não transformar a crise do STF em crise própria.
Por que o elogio a Moraes pesa agora
O elogio pesa porque veio um dia depois de o STF debater mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Lula fez o elogio em entrevista a um podcast nesta quarta (16).
Ele disse que Moraes "prestou grandes serviços à democracia brasileira" e voltou a elogiar a atuação do ministro à frente do TSE nas eleições de 2022.
Lula negou ter indicado Moraes ao Supremo. "Todo mundo que cometeu erro, em qualquer área, tem que ser julgado", afirmou.
Sobre a oposição de Flávio Bolsonaro (PL), disse: "A obsessão deles é pegar o Alexandre de Moraes". Ele atribuiu a rejeição a prisões ligadas aos casos Marielle Franco, 8 de Janeiro e Banco Master.
Para Jussara, o episódio reforçou o argumento da oposição de que Lula e Moraes agem como uma pessoa só. O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato a presidente, reagiu dizendo que Lula "passou a mão na cabeça" de Moraes.
O momento chega em meio a mudanças de estratégia já em curso na campanha. A equipe de Lula reforçou o discurso sobre o bolso do eleitor depois de ficar atrás de Flávio Bolsonaro na pesquisa Quaest.
O cenário eleitoral segue fragmentado. Hoje, nenhum candidato tem 50% mais um dos votos necessários para vencer no primeiro turno.
A crise no Supremo em torno de Moraes também já vinha se formando antes do episódio do Banco Master, segundo análise de professor da FGV.
O que acontece agora
Jussara avalia que a proximidade do primeiro turno torna esta semana decisiva. "Ou você reage agora ou não reage mais", disse a analista, que aguarda o fim de semana para ver se a campanha muda de rumo antes do 1º turno, 4 de outubro.

































































