O Banco Central do Brasil vendeu US$ 61 bilhões em títulos do Tesouro dos Estados Unidos entre outubro de 2024 e outubro de 2025 e comprou 43 toneladas de ouro no mesmo período, virando o 4º maior comprador do metal no mundo em 2025.
O país ficou atrás de Polônia, Cazaquistão e Azerbaijão no ranking de maiores compradores de ouro do ano.
A movimentação segue uma tendência internacional.
"Fatores geopolíticos e a transformação do dólar em arma pelos Estados Unidos por meio de sanções financeiras estão fazendo com que bancos centrais e outros investidores institucionais tentem se diversificar, afastando-se de ativos em dólar", disse Eswar Prasad, ex-FMI.
Dados de mercado mostram que o rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos ultrapassou 5% ao ano nesta semana, o maior nível desde 2007. Investidores exigem retorno mais alto para financiar a dívida de US$ 40 trilhões dos Estados Unidos.
"Os EUA são, de fato, o líder, e o líder não tem medo da concorrência. A concorrência nos torna melhores", disse o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, em depoimento ao Congresso dos Estados Unidos nesta terça-feira (15).
Por que o Banco Central troca dólar por ouro?
O Banco Central atribui a mudança a incertezas econômicas e geopolíticas crescentes. Em nota, a instituição informou que, em 2025, "atento ao aumento de incertezas econômicas e geopolíticas", buscou "reforçar aspectos de segurança e liquidez" e ampliou a diversificação das reservas.
O ouro já responde por 7,19% das reservas internacionais brasileiras, ante 1,19% em 2016. No mesmo intervalo, a fatia em dólar caiu de 83,46% para 72%.
O movimento não é só brasileiro. A China vendeu US$ 71,4 bilhões em Treasuries no mesmo período, o maior valor absoluto entre os países emergentes. A Índia reduziu US$ 50,7 bilhões.
Segundo o banco holandês ING, os países do Brics estão "silenciosamente deixando" o mercado de títulos americanos.
O movimento das reservas ocorre em meio a um cenário de juros elevados nos dois países.
Nesta semana, o Fed subiu juros nos Estados Unidos no mesmo dia em que o Copom cortou a Selic no Brasil, movimento raro que ilustra a divergência entre as duas economias.
Já na segunda-feira (14), o dólar subiu e a Bolsa brasileira caiu em reação aos mesmos sinais de estresse nos mercados globais que vêm acelerando a busca por ativos alternativos ao dólar.
Apesar da diversificação, o dólar segue dominante nas reservas mundiais. Nenhuma moeda rival está em posição de substituir o dólar no curto prazo, e investidores privados continuam aplicando recursos em ações e no mercado financeiro americano, segundo a InfoMoney.
O que acontece agora
Bancos centrais de todo o mundo compraram 244 toneladas de ouro no primeiro trimestre de 2026, alta de 3% sobre o mesmo período do ano anterior. O ritmo de diversificação das reservas deve continuar enquanto durar a tensão geopolítica.
O Brasil não informou se pretende manter o ritmo de compras de ouro em 2026 no mesmo patamar de 2025.


























