O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) decidiu, por unanimidade em 24 de setembro, que a Motorola precisa parar de somar a RAM física do celular com a memória virtual num único número nos anúncios, prática batizada de RAM Boost pela marca.

A prática existe há um ano e meio e é incomum entre concorrentes no Brasil. Não é a primeira vez que uma marca é cobrada por especificação exagerada: em setembro, a BYD foi condenada a pagar R$ 1,2 milhão por pré-venda enganosa.

Pessoas seguram smartphones Motorola Moto G durante evento de lançamento, foto de arquivo
Lançamento de smartphones Motorola Moto G (foto de arquivo, modelo anterior) — Foto: liewcf/Flickr

Quanto é RAM de verdade

Em quatro modelos vendidos no Brasil, entre eles o Moto G47 lançado para o setor empresarial, uma fatia relevante da memória anunciada é emprestada do armazenamento, não da RAM física do aparelho.

RAM física x RAM Boost anunciada nos modelos Motorola — conferido em 27/09/2026
ModeloRAM físicaRAM Boost (virtual)Total anunciado
Moto G868 GB16 GB24 GB
Moto G474 GB8 GB12 GB
Motorola Edge 708 GB16 GB24 GB
Motorola Signature12 GB12 GB24 GB

O RAM Boost reserva um pedaço do armazenamento interno e o usa como apoio quando a memória física se esgota. Por cálculo da própria Motorola, 16 GB de Boost consomem 5,3 GB do armazenamento real do aparelho, espaço que deixa de guardar fotos e aplicativos.

Por que o Conar mandou mudar

Samsung e Xiaomi já listam a memória virtual separada da física nas fichas técnicas, sob os nomes RAM Plus e extensão de memória. Foi esse formato que o Conar passou a exigir da Motorola.

Procurada durante a apuração do Conar desde março de 2025, a Motorola respondeu de forma sucinta na época e não comentou depois da decisão.

Como o Conar é entidade privada, sem poder de multa, a adesão depende da pressão do mercado publicitário.

O ponto em aberto

A decisão não fixou prazo para a troca dos anúncios, e sites da própria Motorola ainda mostravam "até 24 GB" um dia depois de publicada.

A empresa também pode recorrer, o que adiaria ainda mais qualquer mudança visível ao consumidor. Até lá, quem compra um Motorola precisa somar dois números antes de comparar RAM entre marcas.