O kratom, planta do Sudeste Asiático vendida como suplemento em lojas de conveniência e postos de gasolina nos Estados Unidos, já foi banido em 11 estados americanos depois de casos de intoxicação. No Brasil, a substância segue numa zona cinzenta, sem proibição nem liberação formal.
Os relatos de intoxicação por kratom em centros de controle dos Estados Unidos aumentaram mais de 1.200% entre 2015 e 2025. Em julho, a agência antidrogas americana (DEA) abriu processo para classificar como substância controlada o 7-OH, um composto concentrado extraído da planta.
No Mississippi, dois estudantes universitários morreram recentemente. Embalagens de kratom foram encontradas junto ao corpo dos dois. O resultado da toxicologia, que pode confirmar ou não a causa, ainda não saiu.
Para quem consome, o efeito é presente no dia a dia. Jeffrey Deaver, lenhador aposentado de 58 anos, usa kratom há 4 anos.
Foi como um milagre. Eu consegui dormir. Eu consegui funcionar.
Especialistas médicos veem risco nesse tipo de relato. Para o reitor de medicina Shane Speights, da Universidade Estadual do Arkansas, o problema começa na falta de padrão.
"Não há como saber exatamente o que você está comprando", diz Speights.
É um alerta parecido ao que cercou a overdose fatal da atriz Hayden Panettiere. A TV Sim Brasil mostrou que a morte dela foi atribuída a um comprimido contaminado com fentanil.
A psicóloga Jana Wu, do centro de tratamento Mountainside, vê o problema chegar à vida pessoal dos usuários. "Isso afeta casamentos, relacionamentos", diz Wu.
O kratom é proibido no Brasil?
Não há uma resposta simples. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou, em nota técnica de 2023, incluir a planta na lista de espécies proscritas e seus alcaloides na lista de substâncias de uso proibido. Mas essa recomendação nunca virou decisão final publicada.
O atraso não é exclusividade do kratom. A TV Sim Brasil já mostrou que novas drogas sintéticas circulam no país antes de qualquer teste as detectar, quanto mais regulá-las.
Pelo Decreto federal 5.912/06, uma substância só é considerada proibida depois de entrar formalmente numa lista publicada. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o PMMA usado em procedimentos estéticos, banido depois de decisão do CFM — mas ainda não com o kratom.
O ponto em aberto
Enquanto 11 estados dos EUA já proibiram o kratom, o Brasil segue sem decisão quase 3 anos depois do alerta técnico da Anvisa. Falta saber se o país vai esperar números como os americanos para agir.





























