Um grupo de 31 parlamentares dos Estados Unidos, entre eles o senador Bernie Sanders e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, enviou carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, nesta quinta-feira (24), acusando o governo Trump de interferir nas eleições brasileiras de outubro.

Os parlamentares exigem resposta do Departamento de Estado até 1º de outubro. O documento foi revelado pela Folha de S.Paulo e confirmado pela CNN Brasil.

Os signatários listam o tarifaço de Trump contra o Brasil e as sanções aplicadas a ministros do STF como exemplos do que chamam de campanha de interferência e desestabilização.

Os parlamentares chamam o conjunto de ações de violação extraordinária da soberania brasileira.

Escrevemos para expressar nossa grave preocupação em relação ao esforço coordenado do governo para ameaçar nossa aliança estratégica com o Brasil e desestabilizar a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental às vésperas de sua próxima eleição presidencial, em outubro de 2026.

Para os democratas, a desescalada obtida após conversas diretas e cordiais entre Trump e Lula foi interrompida pela indicação de Darren Beattie para a diplomacia americana voltada ao Brasil, e por um novo tarifaço aplicado após investigação do USTR.

Os parlamentares também apontam que o governo Trump classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A decisão saiu dias depois de reunião com o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL). Citam isso como sinal de interferência.

A CNN Brasil informou ter procurado o Departamento de Estado dos EUA e o Itamaraty para comentar a carta. Nenhum dos dois havia respondido até a publicação da reportagem.

Sinais que já vinham antes

Dias antes da carta, Sanders já havia dito a Lula, em Nova York, que os progressistas dos EUA deveriam apoiar o Brasil.

A Abin já classificava como crítico o risco de interferência americana nas eleições. A carta une, dentro do Congresso americano, uma preocupação que o próprio serviço de inteligência brasileiro já tratava como crítica.

O que acontece agora

O prazo dado ao Departamento de Estado termina em 1º de outubro, com sete perguntas a responder. Uma delas questiona se o governo americano vai reconhecer o resultado certificado da eleição brasileira, seja qual for o vencedor.