O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Dom Jaime Spengler, disse nesta quarta-feira (23) que o Brasil vive um "momento delicado, tenso e desafiador" nos três Poderes, e criticou a ausência de candidatos líderes nas pesquisas dos debates eleitorais.

Eu imagino que o Poder Judiciário deveria ser o fiel da balança. No entanto, quando a politicagem entra no Judiciário, quem perde é o povo.

A frase é de Spengler, dita em Brasília, segundo o Poder360. A crítica ecoa outra recente: o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também cobrou a presença de Lula e Flávio Bolsonaro nos debates presidenciais.

Bispos da CNBB, incluindo Dom Jaime Spengler, em encontro no Palácio do Planalto
Dom Jaime Spengler (à esquerda) em encontro de bispos da CNBB no Planalto (imagem de arquivo, 2023). Foto: Ricardo Stuckert/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Para ele, os planos de governo dos candidatos têm parecido "mais um selecionar, copiar e colar", e a fuga dos debates prejudica o discernimento do eleitor. A cobrança chega no momento em que os líderes das pesquisas evitam os debates que ela pede.

O tema já preocupa analistas: os debates presidenciais estão sumindo do calendário eleitoral deste ano.

O uso da igreja como palanque

Spengler afirmou que a CNBB não faz "opção por partidos ou por uma política partidária", mas reconheceu que a instituição participa da sociedade como cidadã.

O vice-presidente da entidade, Dom João Justino, chamou de "grave" a prática de candidatos se apresentarem como "escolhidos de Deus" para atrair votos de religiosos.

"Se ele que é o escolhido de Deus, para quê a gente que tem fé vai votar?", questionou, segundo o Metrópoles.

Privilégios e o recado sobre Lula

O 2º vice-presidente da CNBB, Dom Paulo Jackson Nóbrega, criticou o volume de "penduricalhos" concedidos a autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário. Segundo ele, a estrutura funcional brasileira é mais onerosa que a de países como a Suíça.

Spengler também comentou, em entrevista à CNN, a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Igreja Católica: a declaração de que a instituição cresce menos que a evangélica por "não acabar com o celibato" causou "desconforto" no meio religioso.

O primeiro turno das eleições gerais de 2026 ocorre em 4 de outubro. Nesse mesmo cenário, a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro encolheu em relação a 2022.