O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Dom Jaime Spengler, disse nesta quarta-feira (23) que o Brasil vive um "momento delicado, tenso e desafiador" nos três Poderes, e criticou a ausência de candidatos líderes nas pesquisas dos debates eleitorais.
Eu imagino que o Poder Judiciário deveria ser o fiel da balança. No entanto, quando a politicagem entra no Judiciário, quem perde é o povo.
A frase é de Spengler, dita em Brasília, segundo o Poder360. A crítica ecoa outra recente: o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também cobrou a presença de Lula e Flávio Bolsonaro nos debates presidenciais.

Para ele, os planos de governo dos candidatos têm parecido "mais um selecionar, copiar e colar", e a fuga dos debates prejudica o discernimento do eleitor. A cobrança chega no momento em que os líderes das pesquisas evitam os debates que ela pede.
O tema já preocupa analistas: os debates presidenciais estão sumindo do calendário eleitoral deste ano.
O uso da igreja como palanque
Spengler afirmou que a CNBB não faz "opção por partidos ou por uma política partidária", mas reconheceu que a instituição participa da sociedade como cidadã.
O vice-presidente da entidade, Dom João Justino, chamou de "grave" a prática de candidatos se apresentarem como "escolhidos de Deus" para atrair votos de religiosos.
"Se ele que é o escolhido de Deus, para quê a gente que tem fé vai votar?", questionou, segundo o Metrópoles.
Privilégios e o recado sobre Lula
O 2º vice-presidente da CNBB, Dom Paulo Jackson Nóbrega, criticou o volume de "penduricalhos" concedidos a autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário. Segundo ele, a estrutura funcional brasileira é mais onerosa que a de países como a Suíça.
Spengler também comentou, em entrevista à CNN, a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Igreja Católica: a declaração de que a instituição cresce menos que a evangélica por "não acabar com o celibato" causou "desconforto" no meio religioso.
O primeiro turno das eleições gerais de 2026 ocorre em 4 de outubro. Nesse mesmo cenário, a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro encolheu em relação a 2022.





























