A Justiça autorizou nesta sexta-feira (25) a venda de 90% da SAF do Vasco da Gama para a Almirante Participações, empresa do investidor Marcos Lamacchia, que foi o único proponente do leilão. O negócio soma R$ 3,1 bilhões em compromissos financeiros firmados desde julho.

Do total, R$ 500 milhões vão para o futebol, entre contratações e folha salarial. Outros R$ 1,5 bilhão cobrem o déficit de caixa do clube por cinco anos, e R$ 1 bilhão quita dívidas dentro do plano de recuperação judicial.

A Justiça já havia autorizado a disputa pela SAF em agosto, quando o negócio ainda era avaliado em R$ 650 milhões.

O contrato tem salvaguardas que o acordo anterior não tinha. Há multa de 60% em caso de atraso nos aportes e proibição de retirada de lucros por dez anos.

O Vasco já viveu um fracasso parecido. Em 2022, a gestora americana 777 Partners comprou 70% da SAF por R$ 700 milhões, mas escondia prejuízo de US$ 560 milhões. O caso terminou na Justiça, com a gestora afastada do comando do futebol em 2024.

É quatro vezes mais dinheiro que o acordo anterior.

Marcos Lamacchia, o novo controlador do Vasco, é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e filho de José Roberto Lamacchia, conselheiro do clube alviverde e fundador da Crefisa.

A ligação familiar já gerou atrito entre Leila Pereira e o presidente do Flamengo, Bap, que argumenta que uma mesma família não deveria comandar dois clubes do país.

O caso ganha peso porque Palmeiras e Vasco se enfrentam na semifinal da Copa do Brasil, marcada para o fim de outubro e início de novembro.

Dentro do próprio Palmeiras, conselheiros pedem a saída de José Lamacchia do Conselho, alegando conflito de interesse na compra do rival pela família. Um grupo político do colegiado chamou a situação de "jogo duplo".

O Vasco já saiu em defesa de Leila Pereira diante das críticas. Em nota anterior, a diretoria do clube rebateu as acusações de Bap.

Leila Pereira, por sua vez, rejeitou deixar a presidência do Palmeiras como solução para o impasse. Seu mandato no clube vai até dezembro de 2027.

O que acontece agora

O negócio ainda depende de aprovações do Conselho Deliberativo do Vasco, da Assembleia Geral, da Anresf e da CBF antes de ser considerado concluído. Não há prazo oficial confirmado para essas etapas.

O teste que vem com a Copa do Brasil

Palmeiras e Vasco entram em campo na semifinal da Copa do Brasil com a mesma família em posições de comando dos dois lados. Falta saber se a Justiça, a CBF ou os próprios clubes vão exigir algum tipo de separação antes do mata-mata.